Migrações

Finlândia torna-se o quarto país europeu a reenviar migrantes para Itália

A Finlândia tornou-se o quarto país a decidir reenviar migrantes para Itália ao abrigo do novo Pacto da UE sobre Migração e Asilo



Este pacto determina que os requerentes de asilo devem ser processados no país de entrada.

Antes da Finlândia, já outros três países haviam decidido recentemente reenviar migrantes para Itália, designadamente Alemanha, Áustria e Suíça, sendo que o país helvético não é Estado-membro da UE, mas aderiu ao Pacto acordado entre os 27 e que entrou em vigor em junho passado.

“Acreditamos que a entrada em vigor do regulamento da UE sobre a gestão do asilo e da migração permite o reinício das transferências para Itália. Estas transferências estão atualmente a ser preparadas”, afirmou o gabinete de imprensa do Ministério do Interior finlandês à agência de notícias italiana ANSA.

O governo de Helsínquia sublinhou que “é crucial para a Finlândia que as regras relativas à responsabilidade pela análise dos pedidos de asilo sejam aplicadas conforme previsto e que todos os Estados-Membros da UE cumpram as obrigações ao abrigo do Pacto”.

“Pela nossa parte, continuamos empenhados em garantir a aplicação efetiva dos procedimentos de responsabilização. Temos vindo a manter a nossa cooperação e diálogo com a Itália ao longo dos anos”, completou o comunicado enviado pelo Ministério do Interior finlandês à ANSA.

O Governo de direita e extrema-direita liderado por Giorgia Meloni tem como uma das grandes ‘bandeiras’ o combate à imigração ilegal e, quando assumiu funções, interrompeu unilateralmente o acolhimento de migrantes secundários provenientes de outros países.

Com a entrada em vigor do novo Pacto sobre Migração e Asilo, Roma corre agora o risco de ver serem reenviados para o seu território milhares de migrantes que conseguiram entrar no espaço comunitário através de Itália.

A crescente lista de países a anunciar que vão reenviar migrantes para Itália já mereceu críticas da oposição de centro-esquerda italiana, que fala num previsível efeito “boomerang”.

"A receita do governo está a revelar-se um ‘boomerang’ para o nosso país, como era evidente para todos, exceto para o Palazzo Chigi [sede do Governo], que optou pelo caminho da propaganda em vez do da solidariedade e da partilha entre países europeus", comentou o líder do partido +Europa, Riccardo Magi.


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