“Estive há cerca de dois meses aqui na ilha [de Santa Maria] e aquilo que verificamos é que, ao fim de dois meses, praticamente todos os problemas se mantêm. O Governo Regional tem mesmo abandonado esta ilha à sua sorte”, afirmou Francisco César, citado numa nota de imprensa do partido.
O socialista reuniu-se com a presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, Bárbara Chaves (PS), cerca de dois meses depois de ter estado em Santa Maria para acompanhar os principais problemas sentidos pela população.
Francisco César acusou o Governo Regional de ter “abandonado Santa Maria à sua sorte”, apontando as sucessivas dificuldades no transporte marítimo de carga como um dos exemplos mais evidentes da falta de resposta aos problemas da ilha.
Segundo o líder socialista, esse abandono é também visível na falta de investimento e de manutenção das infraestruturas, nomeadamente as vias rodoviárias, lembrando que “várias das poucas obras realizadas nos últimos anos resultam de fundos do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] ou de investimentos que vêm do passado”.
Alertou ainda para a quebra do turismo em Santa Maria, que ronda os 17% em termos acumulados, considerando que “penaliza a economia local e o rendimento” da ilha que faz parte do grupo Oriental.
Francisco César referiu que a situação dos transportes marítimos é “particularmente reveladora” da falta de atenção dada pelo executivo açoriano a Santa Maria, que “continua confrontada com irregularidades no transporte de carga sem que o Governo Regional apresente soluções”.
Apontou como exemplo o que aconteceu recentemente com o festival Maré de Agosto – que começou na quarta-feira e decorre até sábado -, cuja realização esteve em risco devido a uma falha no transporte marítimo de carga.
“Estamos a falar de um evento fundamental para Santa Maria e que poderia ter sido comprometido por um problema que não é novo e para o qual o Governo Regional continua sem apresentar soluções”, salientou.
Perante a ausência de resposta do executivo açoriano, adiantou que “teve de ser a Câmara Municipal a tentar resolver o assunto e a ajudar a Associação Maré de Agosto”, que organiza o evento, considerando que o episódio demonstra a situação de vulnerabilidade em que a ilha se encontra.
“Não podemos estar permanentemente a queixar-nos do mesmo e nada ser feito. Santa Maria não pode continuar a viver com esta incerteza, sem saber se a carga chega, quando chega e quais as consequências que uma falha pode ter para a economia e para a própria vida da ilha”, vincou.
Francisco César responsabilizou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, e o presidente do Governo Regional, José Manuel Boleiro, pela falta de resposta, acusando o executivo de “insensibilidade” perante os problemas que afetam aquela ilha.
Lembrou que o atual modelo de transporte marítimo de carga tem mais de 40 anos e defendeu que é necessário ter “coragem para mudar”, reiterando a proposta do PS para que seja estudado um novo modelo de obrigações de serviço público de carga marítima para os Açores.
“Há soluções para estes problemas. O que é preciso é imaginação e vontade para os resolver. O que não podemos aceitar é que Santa Maria continue abandonada e que seja preciso chegar ao ponto de colocar em risco um evento com a importância do festival Maré de Agosto para que se percebam as consequências desta falta de resposta”, concluiu.
