“O agente mais provável é um vírus de elevada transmissibilidade, mas habitualmente inofensivo (do grupo dos norovírus, aguardando-se a confirmação em laboratório)”, informa em comunicado a Delegação de Saúde da Horta.
Na nota, o Delegado de Saúde da ilha do Faial, Armando Faria, refere que a doença tem afetado sobretudo a população adulta e tem, até agora, “poupado de forma relativa as pessoas idosas - o grupo de maior risco -, o que é tranquilizador”.
Segundo o responsável, “não existe qualquer evidência que associe os casos à água da rede pública, mantendo-se, por precaução, a sua análise”.
Relativamente às primeiras conclusões da investigação epidemiológica, Armando Faria revela que a análise da curva de casos situa o início do surto em meados de julho (entre os dias 13 e 20), “após semanas de normalidade”.
“Tudo aponta para uma introdução associada à maior circulação de pessoas própria do verão - chegadas por via aérea e marítima, sobretudo do continente, onde o vírus circulava -, com posterior amplificação nos habituais contextos de convívio estival da ilha (festivais, marina e praias) e transmissão sustentada de pessoa para pessoa”, admite.
O Delegado de Saúde refere ainda que os números disponíveis “permitem acompanhar o ‘ritmo’ do surto”: “O número de reprodução efetivo - quantas pessoas, em média, cada doente infeta - subiu acima de um na semana de 20 de julho, atingiu cerca de 1,5 e estabilizou, mais recentemente, em torno de 1,3”.
“As variações de dia para dia na urgência - com maior afluência às segundas e quartas-feiras e menor ao fim de semana - refletem o padrão de procura de cuidados, e não alterações do contágio”, acrescenta, reforçando que o quadro “mantém-se benigno na larguíssima maioria dos casos, com resolução espontânea em poucos dias”.
Os serviços de urgência registaram quase meio milhar de casos entre o dia 01 de julho e terça-feira.
Armando Faria admite que com a manutenção e o reforço das medidas, é “expectável uma descida progressiva e o regresso à normalidade ao longo de setembro”.
A resposta ao surto tem sido coordenada com o Hospital da Horta, a Unidade de Saúde da Ilha do Faial, as equipas de controlo de infeção, a entidade gestora da água e a autarquia, com monitorização diária e com o apoio técnico da Direcção Regional da Saúde e da Coordenação Regional de Saúde Pública.
O Delegado de Saúde tem também realizado reuniões com a entidade gestora da água, representantes da restauração e responsáveis das estruturas residenciais para idosos e creches, priorizando a proteção das pessoas mais vulneráveis.
“Não há motivo para alarme; há, sim, motivo para manter os cuidados simples que interrompem a transmissão”, garante, assegurando que a autoridade de saúde continuará a acompanhar a evolução e a divulgar novas conclusões à medida que a investigação avança.
À população pede-se que lave frequentemente as mãos com água e sabão e reforce a ingestão de líquidos.
Quem tiver sintomas deve permanecer em casa até recuperar e deve evitar preparar alimentos para outras pessoas ou visitar lares e o hospital, até 48 horas após a melhoria.
Nos casos ligeiros, as pessoas devem contactar a Linha Saúde Açores (808 24 60 24) ou o Centro de Saúde, reservando o Serviço de Urgência para “as situações com sinais de alarme”.
