Educação

Fenprof nega ter abandonado reunião com ministério


 

Lusa/AO online   Nacional   19 de Nov de 2008, 10:43

O presidente da Fenprof Mário Nogueira nega ter abandonado a reunião com a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, esclarecendo ter saído do encontro "mais cedo do que o normal por não haver mais nada a discutir".
"Não abandonei a reunião. Quando a ministra reafirmou que não vai suspender o processo de avaliação, constatámos ambas as partes [a Fenprof e a ministra] que não havia mais nada a discutir, e a Fenprof saíu da reunião", esclareceu à Lusa o presidente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

    A reunião desta quarta-feira de manhã surge na sequência de uma ronda de encontros com protagonistas do sector promovida pelo Ministério da Educação no âmbito do processo de avaliação de professores, que tem sido contestado pelos docentes e já motivou duas manifestações nos últimos dois sábados em Lisboa.

    A Fenprof tem apelado aos professores para suspenderem nas suas escolas os processos de avaliação e mostra-se irredutível em negociar com o Governo se o ministério da Educação não suspender o processo.

    Terça-feira, véspera da reunião com a ministra, Mário Nogueira disse aos jornalistas que se a ministra não anunciasse uma suspensão do processo de avaliação a Fenprof terminaria a reunião cinco minutos depois de a começar, uma vez que não havia mais nada a negociar.

    "O ministério da educação não assumiu a suspensão. Então eu disse à senhora ministra que a Fenprof não ia discutir mais nada sem haver primeiro essa suspensão. E então a reunião chegou ao fim. Mas não abandonei", esclareceu Mário Nogueira.

    À saída do encontro de hoje no ministério, Mário Nogueira disse aos jornalistas: "Não há propostas. A ministra recusou suspender o processo e avaliação".

    "A ministra até reconheceu hoje que o modelo está a criar problemas nas escolas, mas não diz que o problema é do modelo de avaliação, mas da resistência que ele encontrou", salientou o secretário-geral da organização, considerando que "por cada dia que atrasa a suspensão deste modelo de avaliação é um dia em que se degradam as condições de funcionamento das escolas".

    "A ministra recusa em absoluto suspender o modelo, pelo que a Fenprof, a plataforma [sindical] e os professores mantêm todas as formas de luta anunciadas e outras a anunciar", disse.

    Mário Nogueira recusa que haja um braço-de-ferro entre os professores e o ministério da Educação e considera que o país entende que os jovens e as crianças que frequentam as escolas têm direito a um ensino de qualidade.

    O secretário-geral da Fenprof adiantou ainda que até terça-feira à noite cerca de 160 escolas já tinham suspendido o processo de avaliação e acredita que até ao final da semana o número de escolas chegue às duas centenas.

    "A luta dos professores pode afectar os alunos, mas o que mais os afecta é o actual modelo de avaliação", afirmou.

    Contactado pela Lusa logo após a saída da Fenprof da reunião com Maria de Lurdes Rodrigues, fonte do ministério da Educação afirmou apenas que a ministra continuará a estabelecer os contactos previstos, não acrescentando qualquer comentário.

    A ministra da Educação prossegue hoje uma série de contactos com parceiros sociais para discutir o processo de avaliação dos professores, depois de na terça-feira ter recebido o Conselho Científico para a Avaliação de Professores, o Conselho Nacional de Educação, o Conselho das Escolas, a Confederação Nacional das Associações de Pais, a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação e outras entidades.


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