“Nós entendemos que isso que o ministro afirmou é insultuoso e que merece um tratamento jurídico e nas instâncias devidas e, eventualmente, até a apresentação de uma queixa formal”, adiantou à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves.
Fernando Alexandre acusou a Fenprof de tudo ter feito para que corresse mal o processo de classificação digital dos exames nacionais, defendendo que isso, assim como a decisão do Governo de reinstituir o pagamento aos professores classificadores, incomoda a estrutura sindical.
Após um encontro nacional de dirigentes, delegados e ativistas sindicais, que decorreu em Lisboa, Francisco Gonçalves salientou que com estas declarações o ministro “parece que está perdido no labirinto que ele próprio criou” com a digitalização dos exames nacionais.
Lamentando que o governante esteja a “disparar em todas as direções”, o dirigente da Fenprof aconselhou Fernando Alexandre a “parar, de uma vez por todas, de procurar responsabilizar terceiros por erros e por opções políticas que ele próprio e o seu ministério criaram”.
“Isso nós não lhe admitimos”, salientou Francisco Gonçalves, ao adiantar que as declarações em causa vão ser analisadas com o gabinete jurídico da Fenprof.
“À primeira vista, o que nos parece é que, se o ministro da Educação está a acusar-nos de algo que é falso, naturalmente, que estamos perante uma situação de difamação e que merece o tratamento respetivo”, afirmou.
Francisco Gonçalves referiu ainda que “mais grave é a afirmação do boicote” da Fenprof, alegando que, na altura das classificações dos exames, apenas “deu voz ao desespero dos professores, particularmente, dos classificadores” em relação à forma com o processo estava a decorrer.
“Estavam a ver o prazo a passar, o acesso às provas que não ocorria, a aplicação que ligava e desligava, os itens que apareciam e desapareciam”, referiu o secretário-geral da federação, para quem, como organização sindical, a Fenprof tinha de “dar eco a estas preocupações” dos docentes.
A Fenprof recorreu aos “órgãos de um Estado de direito”, disse Francisco Gonçalves, recordando que avançou com uma queixa na Procuradoria-Geral da República e que pediu a intervenção da Inspeção-Geral da Educação e da Provedora da Justiça.
“O que a Fenprof fez foi, por um lado, enquanto organização sindical, dar voz ao desespero de quem representa e, por lado, recorrer aos órgãos que o Estado de direito tem e que visam o cumprimento da lei e a satisfação dos direitos dos cidadãos”, salientou.
