A Região Autónoma dos Açores recebeu 32 cidadãos deportados em 2025, segundo dados avançados pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, ao Açoriano Oriental. Do total, 18 regressaram do Canadá e 14 dos Estados Unidos.
Face ao artigo publicado esta quinta-feira, intitulado “Deportações de açorianos duplicam em 2025”, o Governo Regional veio esclarecer que não há evidência de um aumento significativo do fenómeno, pois, segundo o executivo, os dados disponíveis pelo RASI não permitem concluir que o número de deportações tenha duplicado, sobretudo porque, em 2024, apenas 14 dos 50 cidadãos portugueses expulsos dos Estados Unidos estavam devidamente tipificados (com informações pessoais).
Como salienta Paulo Estêvão, a subida dos números evidenciados no RASI poderá estar relacionada com a melhoria na tipificação dos dados. Em 2024, dos 50 portugueses expulsos dos Estados Unidos, apenas 14 tinham essa informação completa, tendo sido identificados três naturais dos Açores. Já em 2025, com um total de 56 deportações, cerca de 50 casos foram devidamente caracterizados, elevando para 21 o número de açorianos identificados.
A expansão da rede consular portuguesa e a recolha de informação junto de mais postos, sobretudo em regiões com forte presença de comunidades açorianas, contribuíram também para uma leitura mais completa da realidade. No caso dos Estados Unidos, verifica-se um aumento do número total de deportações de portugueses, de 50 em 2024 para 56 em 2025, um crescimento considerado residual face aos 81 registados em 2019 e após valores mais baixos durante a pandemia.
Por outro lado, Paulo Estêvão sublinha que os números do RASI apenas anunciam o local de nascimento da pessoa deportada, e que por essa razão um cidadão natural dos Açores pode ser deportado para o território continental, para a Madeira ou para outros destinos, não sendo possível assumir automaticamente que todos regressam ao arquipélago.
Sobre o baixo número de solicitações de ajuda à chegadaao país, o Governo Regionaladmite que poderá indicar a existência de redes familiares e comunitárias que asseguram o acolhimento, embora não haja ainda uma explicação definitiva. Perante o receio de um aumento acentuado de deportações, nomeadamente dos Estados Unidos, foi preparado um plano de contingência, que até ao momento não foi necessário acionar.
O executivo açoriano garante que continua a acompanhar a evolução da situação, em articulação com consulados e entidades de apoio nas comunidades emigrantes.
