Durão Barroso quer aposta decisivas nos transportes marítimos


 

Lusa/AO   Economia   22 de Out de 2007, 06:14

 O presidente da Comissão Europeia vai hoje acentuar que o desenvolvimento da dimensão marítima da UE, através da aposta nos transportes marítimos e nos portos, estará no centro da estratégia de Bruxelas para promover o crescimento económico.
Durão Barroso e o primeiro-ministro, José Sócrates, serão os dois oradores da sessão de abertura da conferência de alto nível sobre política marítima europeia, que decorrerá no Parque das Nações no âmbito da presidência portuguesa da UE Depois de na sexta-feira, durante a Cimeira de Lisboa, os líderes europeus terem arrumado a questão institucional com o acordo em torno do Tratado Reformador, Durão Barroso considera agora que a prioridade absoluta é a "Europa dos resultados".

    A "Europa dos resultados", segundo a concepção de Barroso, é a Europa que se dirige às preocupações dos seus cidadãos e que procura criar mais empregos e aumentar a competitividade das economias dos seus Estados-membros.

    No seu discurso, no Parque das Nações, o presidente da Comissão Europeia sublinhará precisamente que o principal desafio da UE é enfrentar a pressão colocada à competitividade europeia pela globalização mundial, gerando maior crescimento económico.

    Nesse sentido, o ex-primeiro-ministro português defenderá que a UE tem que afirmar a sua dimensão marítima, através de uma aposta central nos sectores dos transportes marítimos e dos portos.

    Durão Barroso dirá ainda que a aposta na dimensão marítima tem também como objectivo a promoção de um desenvolvimento sustentado - capítulo onde se enquadram as medidas de Bruxelas para o combate á degradação ambiental dos mares e dos oceanos.

    Além de Durão Barroso e de José Sócrates, a conferência de alto nível contará ainda com a presença de ministros dos 27 Estados-membros, do comissário europeu das Pescas e Assuntos Marítimos, Joe Borg, e do presidente do Comité das Regiões da UE, Michel Delebarre.

    Entre outros objectivos, a conferência pretende juntar à volta da mesma mesa, pela primeira vez, os decisores políticos responsáveis pela coordenação dos assuntos do mar, independentemente da fórmula governativa adoptada em cada país europeu.

    Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado dos Assuntos do Mar, João Mira Gomes, afirmou que a reunião de Lisboa sirva para os governantes dos 27 demonstrarem a sua "vontade colectiva para fazer avançar uma política marítima europeia". "Seria útil e bom o compromisso de todos, ainda que em termos genéricos, às propostas da Comissão Europeia para uma política marítima europeia", disse Mira Gomes, que nas últimas semanas fez uma série de contactos em capitais europeias, como Paris, Berlim e Roma, para sensibilizar os Estados-membros.

    Com o seu mais recente alargamento, integrando a Roménia e a Bulgária, a UE passou a ter cerca de 70 mil quilómetros de linha costeira, estendendo-se a leste ao Mar Negro.

    Segundo dados de Bruxelas, metade dos europeus vive a menos de quilómetros da costa e as indústrias e serviços relacionados com o mar produzem entre três a cinco por cento do Produto Interno Bruto europeu.

    Em termos de calendário para o desenvolvimento de acções, a presidência portuguesa da UE e a Comissão Europeia pretendem apresentar as conclusões desta conferência na cimeira de chefes de Estado e de Governo de Dezembro, em Bruxelas.

    "Essas conclusões deverão assumir-se como uma base sólida para a edificação de uma efectiva política marítima para a UE no século XXI, que terá necessariamente de passar pela adopção de medidas concretas no decurso das presidências eslovena e francesa em 2008", disse à agência Lusa fonte diplomática.

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