Açoriano Oriental
Eleições Europeias
"Durão Barroso é o principal rosto da crise na Europa"
O cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda às europeias, Miguel Portas, pede uma “mudança de políticas e de políticos” e diz que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, é “o principal rosto desta crise na Europa".
"Durão Barroso é o principal rosto da crise na Europa"

Autor: Lusa / AO Online

Em entrevista à Agência Lusa, o também deputado europeu justifica que a crise que o mundo actualmente enfrenta se instalou porque “a política se ajoelhou em face da alta finança e disse aos financeiros: ‘Sejam gananciosos, porque se forem suficientemente gananciosos, há-de pingar para nós’”.

“Todos os líderes do primeiro-mundo estavam convencidos que o bem-estar comum dependia de os financeiros terem sempre mais e mais dinheiro, porque alguma coisa acabaria por pingar para a economia real, quando o que estava a acontecer era rigorosamente o contrário. O sistema financeiro estava a sugar os ganhos na economia real. Depois, vampirizaram os salários e as pensões”, considerou Miguel Portas..

“É esta irresponsabilidade, que vai de Cavaco Silva a José Sócrates, em Portugal, dos presidentes todos da comissão europeia desde finais dos anos 80 até Durão Barroso, os presidentes norte-americanos, desde Reagan até George W. Bush, e vamos ver como é com o Obama, é esta enorme irresponsabilidade pela qual eles têm de responder”, sustenta o candidato bloquista, que defende que “as eleições europeias são um magnífico momento para os eleitores dizerem aos primeiros-ministros que não acreditam que quem nos meteu na crise nos vá tirar dela”.

Miguel Portas voltou a condenar o apoio do primeiro-ministro à recandidatura de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia, mas disse compreender a atitude de José Sócrates: “Nada de substancial os separa”, justificou.

“O primeiro-ministro invoca razões patrióticas às terças e às quintas, para apoiar Durão Barroso, mas pede votos europeus às quartas e às sextas. Há aqui uma pequena contradição”, criticou.

Miguel Portas considera que Durão Barroso não honra o nome de Portugal lá fora, ao contrário de outros portugueses, como o cientista António Damásio, a pintora Paula Rego ou o futebolista Cristiano Ronaldo.

Durão Barroso, sublinhou, “não é nada muito bom no que faz”, destacando que o antigo primeiro-ministro português é “o principal rosto desta crise na Europa e a Comissão Europeia tem enormes responsabilidades na situação a que se chegou”.

“Vêm-me dizer que Durão Barroso é bom? Por favor. Vai dizer a um desempregado português que Durão Barroso é bom, quando é por causa da política da Europa e aplicada em Portugal pelo primeiro-ministro, mas é exactamente a mesma política?”, perguntou Miguel Portas, que concluiu: “Nós precisamos de mudar de políticas e de políticos. Rapidamente e em força”.

Para o candidato do BE, a campanha, com início oficial marcado para dia 25, “não deve ser à roda de farinhas ‘Maizena’ e de pedidos cruzados de desculpas”, centrando-se “nos problemas da vida”, de modo a contrariar a sempre elevada abstenção nestas eleições.

“As pessoas vão querer exigir responsabilidades e ter uma palavra a dizer sobre o modo como se vai sair da crise”, acredita Miguel Portas, que reconhece que hoje existe “um grande divórcio entre a Europa de cima e todos os cidadãos”, alimentado por “Bruxelas, que é de uma extraordinária arrogância no modo como toma decisões”.

Sobre as sondagens que colocam o BE como a terceira força política nas intenções de voto, ultrapassando a CDU, Miguel Portas desvalorizou.

“Nós sabemos que as sondagens não votam. O nosso trabalho é o de procurar levar o máximo de eleitores ao voto no dia 07 de Junho”, disse, admitindo que o BE procura aumentar a sua percentagem, elegendo pelo menos também a número dois da lista, a dirigente do partido Marisa Matias.

“Para nós não é uma questão essencial quem ficará à frente. O que é essencial é que as eleições traduzam o que nós sentimos: um processo de consolidação, sólido, que dá uma grande força à esquerda no país, e que traduz a percepção que as pessoas têm, nomeadamente desde que começou a crise financeira, de que não se pode sair da crise se ficar tudo na mesma, não se pode sair da crise com um país mais injusto do que ele já é e portanto isto precisa de uma grande volta”, disse.

 
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