Volta

Dupla subida à Senhora da Graça e ‘crono’ a meio marcam rota equilibrada

A inédita dupla ascensão à Senhora da Graça e a transposição do contrarrelógio individual para meio da corrida destacam-se no percurso da 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta, que equilibra etapas para ‘sprinters’ e para trepadores



Antes da subida final ao Santuário de Nossa Senhora da Graça, em Mondim de Basto, a nona e penúltima etapa da edição de 2026, marcada para 15 de agosto, contempla uma inédita ascensão ao Alto de Carvalhais, por outra vertente do Monte Farinha, numa contagem de primeira categoria com 6,8% de inclinação média, ao longo de 9,5 quilómetros, o último em terra batida.

O trajeto proposto pela empresa espanhola Emesports, sucessora da Podium Events na organização da corrida, une Lisboa e Porto ao longo de 1.430 quilómetros, entre 05 e 16 de agosto, com um prólogo a abrir, nove etapas em linha e um contrarrelógio individual a meio e não no último dia, como acontecia ininterruptamente desde 2016.

O ‘crono’ de 2026 liga Anadia e Águeda a 10 de agosto, ao longo de 17,4 quilómetros, na quinta etapa, que sucede à chegada à Torre e antecede o dia de descanso em Santa Maria da Feira, o que contraria o hábito mais recente da mais popular competição velocipédica de verão do calendário português.

A derradeira tirada da 87.ª Volta contempla a ligação entre Maia e Porto, numa extensão de 136,9 quilómetros que culmina num circuito pelos centros históricos do Porto e de Vila Nova de Gaia, que promete agitar a corrida e dificultar a chegada ao ‘sprint’ à meta, na Avenida dos Aliados.

Com menos 151 quilómetros de extensão face a 2025 e uma altimetria acumulada de 24 mil metros, o que perfaz menos 859 metros face à edição anterior, a corrida está, na perspetiva dos diretores desportivos, mais equilibrada relativamente ao ano transato, começando com um prólogo plano de 6,5 quilómetros, em Lisboa, com partida e meta na Praça do Império.

As três primeiras etapas em linha incluem apenas quatro contagens de montanha, todas elas de terceira categoria, e abrem perspetivas de chegadas à meta em pelotão compacto, para disputas ao ‘sprint’, ao mesmo tempo que assinalam o regresso da Volta ao Alentejo e ao Algarve, três anos depois da última passagem.

A etapa entre Lourinhã e o Palácio Nacional de Queluz, no concelho de Sintra, em 06 de agosto, até apresenta um perfil acidentado, duas contagens de terceira categoria nos derradeiros 50 quilómetros, em Pero Pereiro e em São Pedro de Sintra, antes de as tiradas mais longas da prova, entre Sines e Albufeira (180,4 quilómetros) e entre Beja e a Fortaleza de Elvas (182,2) apresentarem perfis mais suaves.

A ascensão à Torre, a 9 de agosto, promete fazer as primeiras diferenças significativas na classificação geral, num percurso de 154,6 quilómetros, com partida em Figueiró dos Vinhos, que inclui três subidas de terceira categoria e uma contagem de segunda no Alto do Braçal, em Pampilhosa da Serra, antes da única contagem especial de montanha da Volta – subida de 21,8 quilómetros pelas Penhas da Saúde, a 6,3%.

Após o contrarrelógio e o dia de descanso, em Santa Maria da Feira, o pelotão lança-se para a segunda metade da prova, quase sempre disputada em terreno acidentado, a começar pelos 132,6 quilómetros entre Santa Maria da Feira e Peso da Régua, ao longo da Estrada Nacional 222, com uma subida de terceira categoria e outra de segunda, à Tarouquela.

A 13 de agosto, o pelotão deixa as margens do Douro e ruma ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, para uma subida de primeira categoria à Mata de Albergaria, área de valor ecológico, o que já motivou críticas de associações ambientais e movimentos cívicos locais, e uma outra ao Alto de Germil, ao longo de 10 quilómetros, metade em piso empedrado, com 6% de inclinação média, antes da meta na vila do Gerês, após 153 quilómetros de corrida.

O pelotão atravessa o Minho na oitava e antepenúltima etapa, desde Melgaço até Fafe, com uma subida de terceira categoria à Penha, em Guimarães, pouco antes da meta, a poder desencadear ataques em busca da vitória na tirada de quase 167 quilómetros, a antecipar o sábado com dupla passagem pela Senhora da Graça.

Pese o traçado curto, de 142,3 quilómetros, a ligação entre Paredes e Mondim de Basto inclui uma contagem de terceira categoria no Alto da Lameira, em Celorico de Basto, antes das duas subidas pelo Monte Farinha, que podem revelar-se cruciais para o desfecho da corrida que termina na cidade ‘invicta’, no domingo de 16 de agosto.

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