Crise financeira

Crise económica leva famílias a tirar idosos dos lares

Crise económica leva famílias a tirar idosos dos lares

 

Lusa/AOonline   Economia   17 de Nov de 2008, 14:18

O presidente da União de Misericórdias Portuguesas (UMP) alertou hoje para o facto de já haver “famílias que estão a retirar idosos dos lares e a levá-los para casa para tirar proveito da reforma que eles recebem”.
“Há cada vez mais famílias a retirar idosos de lares das misericórdias para os levarem para casa e obterem, assim, mais uma fonte de rendimento”, disse à Lusa Manuel Lemos, presidente do secretariado nacional da UMP - União das Misericórdias Portuguesas.

    Nos últimos quatro meses - e segundo o responsável - o número de casos de idosos que foram retirados das instituições levou a que várias misericórdias comunicassem o facto à entidade que as coordena a nível nacional.

    “Numa época de crise, a reforma de um idoso é mais uma fonte de rendimento para as famílias”, disse.

    Manuel de Lemos precisou que se trata “sobretudos idosos que se encontravam em instituições localizadas na periferia urbana das cidades do litoral”.

    Sem avançar com números ou as localidades onde têm acontecido mais abandonos, o responsável pela UMP avisa que, “se a tendência se mantiver nos próximos meses, o Governo terá que tomar medidas”.

    A preocupação das misericórdias, que continuam a ter listas de espera para a admissão de idosos, prende-se com o tipo de tratamento que eles estão a ter no seio da família.

    “Se estavam institucionalizados é porque familiares, médicos e assistentes associais, acharam que era a melhor solução. Em casa de familiares, não há qualquer controlo sobre a forma como estão a ser cuidados”, sustentou.

    A legislação em vigor prevê que as instituições de acolhimento de idosos possam reter até 85 por cento do valor total da reforma da pessoa acolhida.

    A esta verba a segurança social acrescenta mais 388,51 euros por cada utente.

    “Todas as informações, que nos chegam, referem que os idosos só regressaram à família não porque houvesse mais condições ou mais disponibilidade para tratar deles mas, sobretudo, pela questão financeira”, afirmou Manuel Lemos.

    Mesmo recebendo a reforma mínima, o idoso “é mais uma receita que entra no orçamento familiar e que paga contas”, frisou Manuel de Lemos sustentando tratar-se de “um fenómeno completamente novo para as misericórdias mas que se reveste de aspectos que consideramos muito graves”.

    Esta situação não é do conhecimento das IPSS - Instituições Privadas de Solidariedade Social.

    “Oficialmente, não tenho conhecimento de nenhum caso”, disse hoje à Lusa o padre José Maia, responsável pela entidade que agrega centenas de instituições existentes no país.

    “Continuamos a ter enormes listas de espera e muitas solicitações para acolher idosos”, referiu o responsável.

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