Previsão económica

Crescimento da economia europeia vai abrandar em 2008 e 2009


 

Lusa / AO online   Economia   9 de Nov de 2007, 09:20

A economia europeia deverá crescer a um ritmo 0,5 pontos percentuais mais lento nos próximos dois anos, limitada a 2,4 por cento, sobretudo devido às perturbações registadas nos mercados financeiros, estima Bruxelas.
De acordo com as previsões económicas de Outono divulgadas pela Comissão Europeia, esse abrandamento ocorrerá também na Zona Euro, com o crescimento a passar de 2,6 por cento em 2007 para 2,2 em 2008 e 2,1 no ano seguinte.

Trata-se de uma revisão em baixa das perspectivas económicas da Primavera, divulgadas em Maio passado, com o executivo comunitário a assinalar, no entanto, que, devido a um "contexto mundial ainda positivo" e "parâmetros macroeconómicos sólidos", essa revisão no sentido descendente é limitada a 0,3 pontos percentuais em 2008, tanto na UE a 27 como no espaço monetário único.

"O clima económico foi ensombrado pelas perturbações ocorridas nos mercados financeiros este Verão, pelo abrandamento da economia dos Estados Unidos e pelo aumento constante dos preços do petróleo. Por conseguinte, o crescimento económico abrandou e os riscos de deterioração da situação aumentaram claramente", comentou o Comissário responsável pelos assuntos económicos e monetários, Joaquín Almunia.

O comissário europeu ressalva que "graças ao forte crescimento da economia mundial e a sólidos parâmetros macroeconómicos, o impacto negativo deverá ser limitado", sustentando Bruxelas que o abrandamento do crescimento é de certa forma compensado por outros factores como o consumo privado, "o principal impulsionador do crescimento no início deste ano", que deverá aumentar a "um ritmo robusto".

A Comissão estima também um crescimento "relativamente sustentado do emprego", com a criação de 8 milhões novos postos de trabalho na UE entre 2007 e 2009, além dos 3,5 milhões criados em 2006, o que, a concretizar-se, contribuirá para a redução da taxa de desemprego da União para 6,6 por cento em 2009 (7,1 na Zona Euro), "níveis nunca observados nos últimos quinze anos".

Já a inflação deverá aumentar nos próximos trimestres, "na sequência de preços mais elevados dos produtos de base", mas deverá diminuir para cerca de 2 por cento em meados de 2008 na zona do euro.

"Em relação aos preços, a inflação deverá manter-se moderada, existindo, todavia, o risco de recrudescer", observou Almunia.

Quanto ao défice orçamental, Bruxelas continua a acreditar que em 2007 diminuirá para atingir "o nível mais baixo desde há muitos anos", tanto no conjunto da União Europeia como na Zona Euro, mas prevê que, em termos estruturais, se assista posteriormente a uma interrupção da consolidação orçamental.

As previsões apontam para uma diminuição do défice das administrações públicas em 2007 para 1,1 por cento do PIB na União Europeia (era de 1,6 por cento em 2006) e 0,8 por cento na "Eurolândia" (contra 1,5 por cento no ano passado), mas o cenário para 2008 é menos risonho, prevendo "um agravamento em alguns países, devido ao abrandamento da actividade económica e à utilização de receitas excepcionais para financiar despesas suplementares nalguns países".

A Comissão estima então que se verifique um aumento do défice global em 2008, situando-o em 1,2 por cento do PIB na UE e em 0,9 por cento na zona do euro, devendo estabilizar-se em 2009, "no pressuposto de políticas inalteradas".

Em termos estruturais, a consolidação orçamental deverá ser interrompida em 2008 e 2009.

Segundo as previsões de Outono, a dívida das administrações públicas encontra-se numa trajectória descendente, prevendo-se que se situe em 63,4 por cento do PIB na zona do euro em 2009 e que diminua para menos de 60 por cento na UE já em 2007 Por fim, antecipando os riscos de deterioração, a Comissão considera-os "acentuados", apontando designadamente os acontecimentos ocorridos nos mercados financeiros e a possibilidade de um abrandamento económico mais acentuado ou mais prolongado nos Estados Unidos.

"Alguns segmentos dos mercados financeiros continuam a apresentar disfunções e não se pode excluir a eventualidade de um período mais longo de incerteza que afectaria as condições de crédito e, concomitantemente, o mercado imobiliário de forma mais incisiva do que o previsto", assinala Bruxelas.

A Comissão adverte também que "a ocorrência de novos aumentos do preço do petróleo, bem como dos produtos alimentares e de base, pode implicar riscos de recrudescimento" da inflação face ao cenário de base.

Como nota positiva, Bruxelas acredita que o mercado de trabalho poderá reservar à Europa "boas surpresas", o que "aumentaria os rendimentos do trabalho e a confiança dos consumidores".
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