Conselho Económico e Social dos Açores diz que PRR teve “progressos significativos” em 2025

O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) considerou que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na região registou em 2025 "progressos significativos" em diversas áreas estratégicas, mas alerta para "riscos críticos" em obras complexas.



Em comunicado divulgado no final de uma reunião do plenário, realizada em Ponta Delgada, o CESA referiu que no encontro apresentou o parecer relativo ao Relatório Periódico de Monitorização do 4.º Trimestre de 2025 e ao Relatório Anual de Progresso de 2025 da Estrutura de Missão PRRAçores, que foi aprovado por unanimidade.

"O parecer refere que, até 31 de dezembro de 2025, o PRRAçores registou progressos significativos em diversas áreas estratégicas, nomeadamente na digitalização da administração pública, no reforço das competências digitais do tecido empresarial, na modernização do sistema educativo e na implementação do 'cluster' do Mar", indicou o órgão presidido por Piedade Lalanda.

Segundo a nota, no total, "foram já concluídos 17 de 40 marcos e metas do grupo A, com oito a integrar o 9.º pedido de desembolso e 15 o 10.º pedido, previstos para 2026".

O CESA adianta que a execução operacional do PRR-Açores teve 9.455 candidaturas aprovadas (representando 117 milhões de euros em apoios), 60 empreitadas em curso ou concluídas (266 milhões de euros contratados) e 57.173 equipamentos adquiridos e 144 viaturas entregues.

Os fluxos financeiros totalizam 415,7 milhões de euros, "correspondendo a 57,33% do investimento aprovado e transferido para a região, incluindo adiantamentos".

No entanto, apesar dos avanços, o parecer do CESA "alerta para riscos críticos em áreas cuja execução depende de obras complexas, incluindo habitação, infraestruturas viárias, geotermia e fotovoltaico, e matadouro de São Jorge, que podem condicionar os pedidos de pagamento europeus de 2026".

Na reunião foi também discutida e aprovada, por unanimidade, a Proposta de Pronúncia da Comissão Especializada Permanente dos Setores Sociais sobre o Plano Regional para a Inclusão Social e Cidadania (PRISC 2025-2028).

O CESA, apesar de reconhecer o esforço do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) na modernização das políticas de combate à pobreza e exclusão social, alerta para "fragilidades significativas que podem comprometer a implementação" do plano.

A falta de desagregação territorial por ilha e a ausência de informação sobre recursos humanos e financeiros necessários, bem como a inexistência de uma avaliação de impacto orçamental são fragilidades apontadas.

O CESA também salienta o "prazo de implementação demasiado curto, tendo em conta que o plano de implementação ainda não foi aprovado formalmente e carece de condições operacionais para uma execução eficaz".

O orgão reitera que o combate à pobreza exige "respostas integradas, sustentadas e baseadas em evidência científica", recomendando a definição de um planeamento estratégico robusto, com cronogramas realistas e afetação explícita de recursos, a realização de uma avaliação orçamental permanente, assegurando a sustentabilidade das medidas e a eliminação de qualquer forma de categorização de alunos ou famílias, privilegiando critérios baseados no grau real de vulnerabilidade.

Propõe, ainda, o reforço de mecanismos de prevenção do abandono escolar, sistemas de sinalização precoce e promoção de competências socioemocionais e a valorização do trabalho digno e dos salários como pilares estruturais da inclusão social.

O CESA considera que o PRISC "representa uma oportunidade relevante para reforçar a coesão social regional, mas sublinha que o plano de implementação necessita de ajustes profundos, melhor fundamentação técnica e coordenação intersectorial mais forte para cumprir o objetivo central de reduzir a taxa de pobreza regional em 40% até 2028".

O PRISC foi aprovado pelo Governo Regional dos Açores em 27 de junho de 2025, para reduzir a taxa e o risco de pobreza na região.

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