O coordenador da CGTP-IN/Açores, Rui Teixeira, referiu que, dado que um “número largo de freguesias” não tem “alternativa viável" em termos de transporte público, a subida dos preços dos combustíveis na região vai, de facto, refletir-se no “bolso dos trabalhadores”.
Questionado pela agência Lusa numa conferência de imprensa realizada na sede da União dos Sindicatos de São Miguel e Santa Maria, em Ponta Delgada, para divulgação das comemorações do 1.º de Maio na região, o responsável admitiu que o aumento dos combustíveis, que entra em vigor naquele dia, é “uma coincidência infeliz”.
“Não pensamos que seja [uma decisão] propositada, como é evidente, portanto, é por ser o primeiro dia do mês, mas é uma coincidência infeliz que este aumento do custo de vida se traduza precisamente no Dia do Trabalhador e que vem dar força àquilo que já temos dito no passado de que o salário dos trabalhadores encolhe todos os dias”, afirmou.
Segundo Rui Teixeira, o Governo Regional, tal como acontece com o Governo da República, tem “meios à sua disposição” para ajudar os consumidores a combater este aumento.
O sindicalista salientou que a subida, “em breve, se vai também refletir no aumento de outros bens essenciais, nomeadamente da alimentação, seja através do transporte desses bens, seja através do aumento do custo dos fertilizantes”.
A causa da situação, acrescentou, é “muito concreta” e está relacionada com “uma guerra que é ilegal à luz do Direito Internacional e na qual Portugal e o Governo português e o Governo Regional tomaram uma posição que é contrária ao interesse dos açorianos”.
Pois, o Governo da região “deveria ser a voz do interesse dos Açores”, defendeu, lamentando que se tenha verificado “que não foi assim”.
De acordo com os despachos publicados hoje em Jornal Oficial, a partir de sexta-feira a gasolina sem chumbo I.O. 95 octanas passa a custar 1,921 euros por litro, nos Açores, e o gasóleo rodoviário 2,004 euros por litro.
O preço do gasóleo colorido e marcado consumido na agricultura é fixado em 1,633 euros por litro e o preço do gasóleo colorido e marcado consumido na pesca em 1,443 euros por litro.
O gás butano vendido ao público, no estabelecimento do revendedor, em garrafas de 26 litros ou mais, passa a custar 2,208 euros por quilo e o vendido em garrafas de 24 litros, construídas em materiais leves (até oito quilos de vasilhame), 2,408 euros por quilo. O gás butano canalizado é fixado em 2,208 euros por quilo e o gás butano a granel em 1,801 euros por quilo.
Na conferência de imprensa, a CGTP-IN/Açores referiu que o lema do 1.º de Maio deste ano é “Lutar pela vida melhor a que temos direito” e, segundo o seu coordenador, “descreve bem o que está em causa” tanto nos Açores como em todo o país.
A data “servirá para recusar o Pacote Laboral e exigir salários dignos, direitos no trabalho e serviços públicos valorizados”, disse.
Rui Teixeira afirmou ainda que nos 50 anos da autonomia regional, as desigualdades sociais “não podem continuar”, pelo que, as comemorações não podiam deixar de ser um momento para lutar por uma vida melhor nos Açores.
As comemorações no arquipélago terão lugar em Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial)
No Pinhal da Paz, em Ponta Delgada, terá lugar, pelas 11h00 um convívio entre trabalhadores e famílias, com uma intervenção sindical.
Em Angra do Heroísmo, na Praça Velha, haverá, pelas 10h00, uma concentração de trabalhadores, enquanto o parque da Alagoa, na Horta, receberá uma festa popular (15h00).
