A cidadã norte-americana Renee Nicole Good foi morta por um agente do serviço de imigração e alfândega (ICE), durante uma operação de controlo de imigração integrada na campanha do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, naquela cidade, segundo a Associated Press (AP).
Trump acusou a mulher morta a tiro de resistir e dificultar o trabalho dos agentes e a "esquerda radical" de promover o sucedido.
O agente federal que disparou fatalmente sobre Good é um veterano da Guerra do Iraque que serviu durante quase duas décadas na Patrulha de Fronteiras e no ICE, de acordo com os registos obtidos pela AP.
Os manifestantes marcharam sob a chuva gelada que caía na noite de quinta-feira por uma das principais avenidas de Minneapolis, no estado de Minnesota, gritando "ICE fora agora" e carregando cartazes com as palavras "ICE assassino fora das nossas ruas".
Antes, os manifestantes expressaram a sua indignação em frente a uma instalação federal que serve de centro para a mais recente repressão da Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra a imigração.
Já o tiroteio em Portland, no Oregon, ocorreu em frente a um hospital na tarde de quinta-feira. Um homem e uma mulher foram baleados dentro de um veículo, e o estado de saúde de ambos ainda não foi divulgado.
O Serviço de Segurança Interna (FBI) e o Departamento de Justiça do Oregon estão a investigar o caso. O presidente da Câmara, Keith Wilson, e o conselho municipal pediram ao ICE que encerrasse todas as operações na cidade até que uma investigação completa fosse concluída.
Centenas de pessoas protestaram na noite de quinta-feira em frente ao edifício do ICE. Hoje, a polícia de Portland informou que foram feitas algumas detenções depois de os agentes terem pedido aos manifestantes que se deslocassem para o passeio, uma vez que o trânsito permanecia aberto na área.
Tal como fez após o tiroteio em Minneapolis, o Departamento de Segurança Interna defendeu as ações dos polícias em Portland, dizendo que o incidente ocorreu depois de um venezuelano com alegadas ligações a gangues e que esteve envolvido num tiroteio recente ter tentado "usar" o seu veículo como arma para atingir os polícias. Ainda não é claro se o vídeo de uma testemunha corrobora esta versão.
A secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, o Presidente Trump e outros membros da sua Administração caracterizaram repetidamente o tiroteio em Minneapolis como um ato de legítima defesa e retrataram Renee Good como uma vilã, sugerindo que usou o seu veículo como arma para atacar o polícia que disparou sobre a mulher.
Mas as autoridades estaduais e locais, bem como os manifestantes, rejeitaram esta caracterização. O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, disse que as gravações em vídeo mostram que o argumento da legítima defesa é “um disparate”.
O tiroteio em Minneapolis ocorreu no segundo dia da repressão da imigração promovida pela Administração Trump nas cidades de Minneapolis e St. Paul, que o Departamento de Segurança Interna afirmou ser a maior operação de fiscalização da imigração de sempre. Mais de 2.000 polícias estão a participar nas operações, e Noem disse que já realizaram mais de 1.500 detenções.
A morte de Good — pelo menos a quinta ligada às operações de imigração desde que Trump assumiu o cargo — teve repercussões muito para lá de Minneapolis, com protestos a acontecer ou previstos esta semana em muitas grandes cidades dos Estados Unidos.
