Canonização de João XXIII e João Paulo II marcada para 27 de abril

Canonização de João XXIII e João Paulo II marcada para 27 de abril

 

Lusa/AO Online   Internacional   30 de Set de 2013, 09:58

Os papas João XXIII (1881-1963) e João Paulo II (1920-2005) vão ser canonizados a 27 de abril, anunciou o papa Francisco em latim.

 

A data de canonização foi escolhida por Francisco durante o consistório de cardeais, que decorreu hoje no Vaticano.

A cerimónia deverá atrair centenas de milhares de peregrinos a Roma, já que o papa polaco e o antecessor italiano são duas das mais influentes personalidades do mundo católico atual.

"Fazer a cerimónia de canonização dos dois juntos quer ser uma mensagem para a Igreja: estes dois são bons", declarou Francisco no regresso da visita ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, em julho passado.

A santidade exige normalmente dois milagres confirmados, embora Francisco tenha aprovado a canonização de João XXIII - com quem partilha uma perspetiva reformista - baseado em apenas um.

O primeiro milagre atribuído a João Paulo II, que ocupou o trono de Pedro de 1978 a 2005, terá ocorrido seis meses depois da morte, quando uma freira francesa afirmou ter sido curada da doença de Parkinson, através de orações dedicadas ao papa polaco.

Karol Wojtyla foi beatificado a 01 de maio de 2011 por Bento XVI. João Paulo II beatifcou João XXIII a 03 de setembro de 2000.

Francisco reconheceu um segundo milagre de João Paulo II, depois do parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos.

Em 2005, durante o funeral de João Paulo II, a multidão gritou várias vezes "Santo Subito!" ("Santo Já!"), levando o Vaticano a acelerar os procedimentos necessários à canonização, que são iniciados, normalmente, cinco anos após a morte.

João XXIII ficou para a história como o papa que realizou o Concílio Vaticano II (1962-1965), que reviu os rituais e doutrinas da Igreja e defendeu a aproximação a outras religiões.

Muitos comparam o papa italiano, que morreu em 1963, com o atual líder da Igreja Católica pelas semelhantes atitudes pastorais: humildade, simplicidade e sentido de humor.

Francisco terá dispensado o reconhecimento de um segundo milagre para a canonização de João XXIII, também aprovada pela Congregação para as Causas dos Santos. Os participantes no Concílio Vaticano II, em 1965, já tinham pedido a canonização do papa, que pretendiam homenagear por conduzir a Igreja para tempos modernos.

O papa argentino também promete ser reformador, tendo já iniciado uma revisão da burocracia e das finanças do Vaticano, e defendendo uma "Igreja pobre para os pobres".

Na terça-feira, Francisco vai dar início a três dias de conversações com um conselho de oito cardeais, que nomeou para o ajudarem a repor a ordem na Cúria, a administração da Igreja atingida por vários escândalos, e melhorar a comunicação entre o Vaticano e as igrejas locais.

Vaticanistas disseram não ser evidente a divulgação de pormenores dos encontros, mas os católicos liberais esperam que o tom de conciliação, adotado por Francisco em muitas questões, se traduza em ações.

Estas questões poderão incluir o papel das mulheres na Igreja, o casamento de padres, a comunhão para os católicos divorciados e que voltaram a casar e a posição do Vaticano sobre homossexualidade e o clero homossexual.


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