Bolieiro quer correção do Quadro Financeiro Plurianual para refletir "sensibilidade" das ultraperiferias

O presidente do Governo dos Açores reiterou a importância de "uma compreensão das Regiões e do potencial que elas representam", insistindo na necessidade de correção da proposta da Comissão Europeia para o futuro Quadro Financeiro Plurianual (QFP)



José Manuel Bolieiro participou, em Bruxelas, na sessão de abertura do High-Level Outermost Regions Forum, encontro promovido pela Comissão Europeia que juntou as instituições europeias, Estados-Membros e as nove Regiões Ultraperiféricas (RUP), iniciativa que assinala os 30 anos da Conferência dos Presidentes das RUP.

O chefe do executivo açoriano considerou ter sentido, nas várias intervenções, “sensibilidade e preocupação” face às reivindicações das RUP.

No entanto, “é preciso que esta sensibilidade seja refletida nos documentos finais”, defendeu.

Para o presidente do Governo dos Açores, citado em nota de imprensa, existe hoje “uma identidade e uma compreensão das Regiões e do potencial que elas representam”, mas o chefe do Governo Regional insistiu na necessidade de corrigir aspetos da proposta da Comissão para o futuro Quadro Financeiro Plurianual.

“Queremos que os comissários tenham sensibilidade para aquilo que foi apresentado e que não está bem, e que precisa de ser corrigido”, sublinhou.

De acordo com a nota divulgada pelo executivo regional, o ponto alto deste evento foi a entrega ao vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Raffaele Fitto, da declaração conjunta das RUP sobre o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, assinada na véspera pelos presidentes das nove regiões.

O documento segue agora para a Comissão Europeia, para o Parlamento Europeu e para os Estados-Membros, numa fase em que se começam a definir as prioridades financeiras da União para a próxima década.

A declaração reúne as principais preocupações das RUP relativamente à proposta apresentada pela Comissão, alertando para o impacto que algumas das orientações poderão ter na coesão, na agricultura, nos transportes e nos fundos estruturais.

As RUP pedem que o próximo Quadro Financeiro assegure estabilidade, previsibilidade e uma abordagem realista às suas especificidades, lembrando que o contributo destes territórios para a União, desde a gestão das fronteiras externas até às vastas áreas marítimas sob jurisdição europeia, passando pela proteção da biodiversidade e pela crescente exposição a fenómenos climáticos extremos, exige um compromisso recíproco por parte das instituições europeias.

O líder do executivo açoriano destacou o fórum como “uma excelente iniciativa” de Raffaele Fitto, sublinhando que o encontro evidencia “um relacionamento próximo entre as RUP, os Estados-Membros e as instituições europeias”.

José Manuel Bolieiro manifestou também a expectativa de que Fitto possa assumir um papel decisivo para promover “um bom entendimento entre a posição das RUP, que conta com o apoio do Parlamento Europeu, e a posição da Comissão Europeia”, garantindo que as especificidades destes territórios são plenamente consideradas.

A sessão de abertura contou com intervenções de vários responsáveis europeus, como o vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, o presidente do Comité das Regiões, representado por Vasco Cordeiro, e o presidente do Comité Económico e Social Europeu, Séamus Boland.

Estiveram ainda presentes os ministros responsáveis pelos Assuntos Europeus de França, Espanha e Portugal, "reforçando a relevância política destas regiões no projeto europeu", lê-se na nota.

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