“Vamos discutir principalmente o tema de uma Europa independente. Temos de reduzir as nossas dependências excessivas em três áreas específicas”, sendo a primeira das quais a energia já que “dependemos demasiado de combustíveis fósseis importados e, por isso, estamos sempre dependentes dos mercados globais”, disse Ursula von der Leyen.
Falando à chegada da oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, que decorre hoje na capital arménia, Erevan, a líder do executivo comunitário apelou a mais “recursos dentro da Europa”.
“Esses são as energias renováveis e a energia nuclear porque são produzidas localmente, são mais baratas e são fiáveis”, elencou, numa altura de elevados preços energéticos devido ao conflito no Médio Oriente, causado pelos ataques norte-americanos e israelitas ao Irão.
Para Ursula von der Leyen, urge também “mais independência na defesa e na segurança.
“Temos de reforçar as nossas capacidades militares para sermos capazes de nos defender e proteger”, afirmou.
Ursula von der Leyen defendeu ainda “cadeias de abastecimento fiáveis”, nomeadamente após a aplicação provisória do acordo comercial UE-Mercosul e numa altura de novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos.
A presidente da Comissão Europeia adiantou que, “com amigos que partilham os mesmos valores temos cadeias de abastecimento estáveis e fiáveis, e a Europa tem a maior rede de acordos de comércio livre”.
A capital da Arménia recebe hoje uma cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE) para debater a estabilidade do continente face às tensões geopolíticas mundiais sob o lema “Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa”.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, não participará por motivos de agenda, ao contrário do anteriormente previsto.
Da lista oficial de participantes, que são mais de 40, constam 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.
Presente está também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o Vice-Presidente da Turquia, Cevdet Yılmaz, para quem foi feita uma exceção embora não sejam permitidas substituições de líderes.
O Canadá, representado pelo primeiro-ministro, Mark Carney, participa como convidado, sendo a primeira vez que um país não europeu integra uma cimeira da CPE.
Outra novidade é o facto de o encontro se realizar pela primeira na região do Cáucaso do Sul, marcada por tensões históricas e conflitos territoriais, visando reconhecer o percurso geopolítico da Arménia, apesar da sua dependência da Rússia, e também assinalar os esforços de paz com o Azerbaijão relativamente ao território de Nagorno-Karabakh, que tornaram possível a reunião neste local, segundo fontes comunitárias.
O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, participa nesta cimeira por videoconferência, o que ,de acordo com fontes europeias, é significativo dada a assinatura dos acordos de paz entre os dois países no verão passado.
A cimeira será, ainda assim, dominada pelo contexto internacional, dado que a UE quer manifestar o seu apoio contínuo à Ucrânia face à invasão russa e que o conflito no Médio Oriente continua a ter implicações, sobretudo ao nível energético.
Quanto ao Cáucaso do Sul, a estratégia da UE passa por reforçar a sua influência através de apoio político, económico e institucional, tentando ao mesmo tempo reduzir a dependência destes países em relação à Rússia.
A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão russa da Ucrânia.
