“Estamos em contacto com os Estados Unidos e compreendemos as suas opiniões e posições, mas seria bom desenvolver uma única voz europeia comum para conversas com os russos”, pediu Volodymyr Zelensky, intervindo na cimeira da Comunidade Política Europeia, na capital da Arménia.
Falando numa sessão pública, o Presidente ucraniano disse aos líderes europeus presentes que é necessário se concentrarem “no que fazer se a Rússia não acabar com esta guerra”.
“Precisamos de pressão contínua e precisamos de paz e, claro, isso é o número um”, mas também “precisamos encontrar um formato diplomático viável e a Europa deve estar à mesa em quaisquer negociações”, exortou Volodymyr Zelensky, referindo que, este verão, o Presidente russo, Vladimir Putin, vai “decidir o que fazer a seguir”.
Depois de a União Europeia (UE) ter aprovado novas sanções à Rússia, o responsável pediu que “se continue com esta pressão”.
“Devemos levar a Rússia à diplomacia. Por favor, oponham-se a qualquer ideia de aliviar sanções, isto é importante”, solicitou, numa altura em que os Estados Unidos suspenderam temporariamente a maioria das sanções contra a indústria petrolífera russa, permitindo embarques para conter a alta dos preços.
Tal crise de preços energéticos deve-se ao conflito no Médio Oriente – causado pelos ataques norte-americanos e israelitas ao Irão e pela consequente resposta iraniana –, que foi também mencionado neste discurso.
Nestas declarações, Volodymyr Zelensky apontou que “a guerra no Irão continua e pode causar instabilidade por muito tempo e pode aumentar o custo de vida em todos os nossos países nestes anos”.
“Isso pode levar a grandes mudanças políticas e, portanto, a nossa cooperação energética e de segurança precisa ser uma cooperação real, e precisamos ajudar-nos mutuamente a preparar o inverno e lidar com os desafios energéticos”, referiu.
Para Volodymyr Zelensky, a Europa deve ainda “avançar para uma solução de longo prazo para o Estreito de Ormuz e para o povo do Irão”.
A capital da Arménia, Erevan, recebe hoje uma cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE) para debater a estabilidade do continente face às tensões geopolíticas mundiais sob o lema “Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa”.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não participará por motivos de agenda, ao contrário do anteriormente previsto.
Da lista oficial de participantes, que são mais de 40, contam 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo da UE, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.
A cimeira será, ainda assim, dominada pelo contexto internacional, dado que a UE quer manifestar o seu apoio contínuo à Ucrânia face à invasão russa e que o conflito no Médio Oriente continua a ter implicações, sobretudo ao nível energético.
Quanto ao Cáucaso do Sul, a estratégia da UE passa por dar apoio para reduzir a dependência destes países em relação à Rússia.
A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão russa da Ucrânia.
