Segundo uma nota de imprensa divulgada pelo Bloco, o deputado regional único do partido, António Lima, reuniu-se com o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), tendo defendido que “todas as decisões, principalmente quando são más decisões e com consequências extremamente negativas, devem ser revertidas”.
O parlamentar, que é também coordenador regional do BE, criticou ainda o Governo Regional, alegando que o executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) não tentou negociar outras soluções com a Comissão Europeia.
Em maio ou junho, assinala o partido, o parlamento dos Açores vai debater e votar uma proposta bloquista que defende a elaboração de um novo plano de negócios para assegurar a manutenção da totalidade do capital da nova empresa de assistência em escala no Grupo SATA, que deverá depois ser apresentado à Comissão Europeia.
António Lima reiterou que o ‘handling’ é um serviço essencial para o grupo de aviação, considerando que "não faz qualquer sentido" privatizar esta área, sob o risco de se criar um "monopólio natural nas mãos de uma empresa privada que, ainda por cima, irá receber subsídios públicos para ser viável, como já assumiu o próprio presidente do Governo Regional".
O deputado contestou também os números recentemente divulgados sobre prejuízos do 'handling' de 36 milhões de euros, sublinhando que não foram contabilizadas as receitas geradas pelo serviço e e que não há atividade da SATA sem um serviço do género.
"Seria o mesmo que vender os serviços de manutenção e esperar que os aviões continuassem a voar”, apontou.
António Lima assinalou que o próprio prazo de privatização até ao final de 2026 é praticamente impossível de cumprir, “a não ser que se faça tudo a martelo”.
Em 21 de abril o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, anunciou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a privatização do ‘handling’ da companhia aérea pública regional, após uma reunião com trabalhadores, que se queixaram da falta de diálogo.
José Manuel Bolieiro falava aos jornalistas após uma reunião na sede da Presidência do Governo Regional, em Ponta Delgada, com elementos da Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) e do Sitava, e o representante dos trabalhadores na administração da companhia aérea.
O líder do executivo regional considerou “legítimas as preocupações” daquelas estruturas e anunciou a criação de um grupo de trabalho para que os trabalhadores possam acompanhar a privatização do ‘handling’.
“O que assegurei foi que podemos construir, para além do trabalho direto entre a administração, sindicatos e comissão de trabalhadores, um grupo de trabalho que possa fazer um acompanhamento relativamente a essa matéria”, avançou.
Bolieiro disse querer formar o grupo com “máxima celeridade”, prometendo “relatórios de trabalho” e “regularidade de reunião”.
Questionado sobre se a privatização do ‘handling’ da SATA é irreversível, o líder do Governo dos Açores lembrou o compromisso com a Comissão Europeia quanto ao plano de reestruturação.
“Temos de cumprir os compromissos do plano de reestruturação. Estamos a fazê-lo. Já verificámos que o mercado deu as respostas que deu. Temos essa obrigação de procedimento”, assinalou.
BE/Açores critica privatização do ‘handling’ da SATA e defende reversão
O Bloco de Esquerda (BE) nos Açores considera ser uma estratégia “absurda” a intenção de privatizar o serviço de assistência em escala (‘handling’) da SATA e defende a sua reversão, alertando para consequências "extremamente negativas".
Autor: Lusa
