Arcebispo de Dublin pede ao papa que fale abertamente do passado da Igreja na Irlanda

Arcebispo de Dublin pede ao papa que fale abertamente do passado da Igreja na Irlanda

 

Lusa/Ao online   Internacional   19 de Ago de 2018, 19:56

O arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, pediu este domingo ao papa Francisco que fale “abertamente e com franqueza” do passado da Igreja na Irlanda, quando da visita ao país na próxima semana, e assegurou que “não basta pedir perdão”.

Na sua homilia dominical na igreja de Santa Maria, conhecida como pró-catedral de Santa Maria, em Dublin, Martin disse que “as estruturas que permitiram ou facilitaram os abusos devem ser eliminadas para sempre”.

“Não é suficiente dizer apenas ´sinto muito´. As estruturas que permitiram ou facilitaram os abusos devem ser analisadas e destruídas para sempre”, sublinhou.

O papa Francisco estará na Irlanda nos dias 25 e 26, no final de uma semana em que se celebra em Dublin o X Encontro Mundial das Famílias, 39 anos depois da visita de João Paulo II ao país, a primeira e única de um papa até hoje.

“Vai ser uma visita curta e intensa. Uma visita que, por um lado, cria muitas expectativas, alegria e entusiasmo, mas que por outro é marcada pela nossa preocupação sobre a nossa Igreja Católica e o seu futuro”, afirmou Diarmuid Martin.

O arcebispo irlandês reconheceu que a Igreja tem demonstrado “arrogância” nos últimos anos perante a escalada de revelações sobre casos de abuso de menores, tanto na Irlanda como em todo o mundo.

“A ira do povo não é só por causa dos abusos, mas também porque a Igreja foi autoritária, despótica e autoprotetora, e os escândalos dos abusos causaram um enorme ressentimento entre os crentes”, afirmou na homilia.

A visita do papa acontece quando surge um novo escândalo de abusos de menores por parte de sacerdotes na Pensilvânia, Estados Unidos.

Na Irlanda, a Igreja Católica também perdeu influência e prestígio, depois de se conhecerem, nos últimos anos, a existência de milhares de casos de abusos de menores cometidos durante décadas por padres, com a proteção das autoridades eclesiásticas e estatais.



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