AICOPA alerta para quebra de 68% nos concursos públicos

Setor da construção civil nos Açores viveu um pico de atividade durante o PRR, que o fez crescer para níveis anteriores à crise da ‘troika’. Mas no ano de 2026, o volume de concursos públicos baixou 68% face a 2020, ano pré-PRR, alerta a AICOPA, que teme “quebra abrupta”



A Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA) está preocupada com uma possível  “quebra abrupta de atividade” quando terminar o atual ciclo de obras do Plano de Recuperação de Resiliência (PRR), alertando que o volume de concursos públicos lançados este ano está “cerca de 68% abaixo do valor registado em 2020, ano pré-PRR”.

Isto numa altura em que o setor da construção civil cresceu e voltou a registar máximos de mão-de-obra, com cerca de 10 mil trabalhadores nos Açores, que já não registava desde 2012, antes da crise da ‘troika’. Por isso, o risco de uma nova perda de postos de trabalho na construção civil açoriana é real. 

Em nota de imprensa, a AICOPA admite encarar com “grande preocupação” o futuro próximo do setor da construção civil nos Açores, lembrando que “o primeiro semestre de 2026 não tem sido promissor para os empresários da construção civil”. E para a AICOPA, “o problema reside na capacidade da Região manter o nível de investimento no período pós-PRR, uma vez que o volume de concursos públicos que tem sido lançado em 2026 se encontra muito abaixo dos níveis registados nos últimos seis anos”. 

Por isso, “impõe-se criar previsibilidade no horizonte ao setor da construção civil, evitando-se a descontinuidade no investimento público com o termo do PRR e agilizando-se o Construir 2030”, alerta a associação representativa dos industriais da construção civil nos Açores. 

Para a AICOPA, “as empresas do setor necessitam de saber que podem contar com uma carteira de obras que lhes possa garantir a continuidade do trabalho em 2027 e anos seguintes e a manutenção das suas equipas”. Isto porque, “existe um sério risco de quebra abrupta de atividade no setor, caso a Região não adote uma estratégia robusta de investimento público, podendo ocorrer uma redução abrupta de volume de obras, perda de emprego no setor e retração das empresas”. E a AICOPA alerta: “este risco é real em economias insulares, com menor investimento privado, verificando-se um risco real de abrandamento”. 

Atualmente, a AICOPA lembra que “o estado do setor da construção civil nos Açores pode ser resumido como um setor em forte atividade e com elevado volume de investimento, mas simultaneamente sob grande pressão estrutural” ao nível da mão-de-obra, dos materiais, dos prazos e da capacidade de resposta.

Devido ao PRR, que termina este ano, “regista-se uma forte pressão sobre a capacidade do setor, havendo um desequilíbrio evidente entre os desafios do mercado e as limitações na capacidade instalada das empresas locais em termos de escassez de mão-de-obra”. E mesmo com cerca de 10 mil trabalhadores, um nível máximo desde 2012, a AICOPA reconhece que este número “continua a ser insuficiente para fazer face à procura, para além do problema da menor qualificação média da mão-de-obra existente, o que tem gerado menor produtividade e obras com um ritmo de execução inferior ao necessário”. 

No atual cenário, o setor da construção civil nos Açores “antecipa a entrada num ciclo mais dependente do Açores 2030, do investimento regional e municipal e da iniciativa privada”, pelo que os Açores enfrentam “um sério risco de efeito travão se não surgir um pipeline suficiente de novos projetos”.

A AICOPA lembra que durante o ciclo do PRR, “muitas empresas expandiram equipas e assumiram riscos financeiros”, pelo que “ao enfrentarem um cenário de quebra abrupta de atividade, poderão defrontar-se com estruturas sobredimensionadas, encargos fixos elevados e excesso de mão-de-obra”.

Se este cenário acontecer, a AICOPA antecipa “falências ou encerramento de PME’s, perda de tecido económico local, desemprego e fuga de mão-de-obra qualificada”. Por isso, conclui a AICOPA em nota de imprensa, é necessário que a Região adote “uma estratégia robusta de investimento público”.  

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