Açores querem mais autonomia dentro da ANAFRE

Delegação dos Açores da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) quer ter mais autonomia face ao que considera o “centralismo” da instituição



O presidente da Delegação dos Açores da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), Manuel António Soares, reivindicou uma maior autonomia para as delegações dos Açores e da Madeira dentro da estrutura nacional da ANAFRE.

Em causa estão as mesmas razões que justificam o estatuto de regiões ultraperiféricas atribuído aos Açores e à Madeira e a existência de um poder político regional, que dialoga diretamente com as delegações regionais da ANAFRE.

Até porque, afirmou Manuel António Soares, “não podemos pedir mais descentralização ao Estado, quando a ANAFRE assume uma posição centralista em relação às suas delegações dos Açores e da Madeira”.

Uma reivindicação que tem sido feita “há quatro anos”, lembrou o presidente da Delegação dos Açores da ANAFRE, pelo que “o tempo para a sua concretização não pode arrastar-se mais”. Manuel António Soares falava durante a Assembleia Geral da ANAFRE, realizada ontem na Ribeira Grande e onde foi reeleito para mais um mandato. 

Aliás, dirigindo-se especificamente ao recém-eleito presidente do Conselho Diretivo da ANAFRE a nível nacional, Francisco Brito, o presidente da Delegação dos Açores não deixou de lançar o alerta: “espero que esta sua primeira deslocação aos Açores, no exercício destas funções, lhe permita conhecer melhor a nossa realidade e sentir de um modo particular as limitações que a insularidade e a dupla insularidade impõem à vida do povo açoriano e ao exercício dos poderes públicos nestas ilhas”.

Lembrando que a Delegação dos Açores irá solicitar uma reunião formal com o Conselho Diretivo nacional para discussão da questão da autonomia das delegações regionais, com a definição de um calendário para a sua concretização, Manuel António Soares afirmou ainda que Portugal é um dos países mais centralistas da OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que reúne os países mais ricos do mundo.

Isto porque, “as receitas e despesas a nível local e regional representam apenas 14% da despesa do Estado em Portugal, quando a média dos países da OCDE é de 34%”, alertou o presidente da Delegação dos Açores da ANAFRE.

E num momento em que o Governo da República já anunciou a intenção de proceder à revisão da Lei das Finanças Locais, “não podemos continuar a elogiar o poder local e aplicar-lhe a lei do garrote financeiro”, alertou Manuel António Soares, que voltou a  defender “um sistema de financiamento diferenciado para os Municípios e Freguesias dos Açores” através de uma majoração de 10% do Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) destinado às freguesias açorianas. 

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