Em comunicado, o executivo regional adiantou que a secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas enviou uma carta à ministra do Ambiente e Energia a expressar preocupação pela “gravidade da conjuntura internacional, marcada por elevada instabilidade dos mercados energéticos, fortes tensões geopolíticas e crescentes limitações na disponibilidade e no preço dos combustíveis”.
“Os Açores dependem exclusivamente do transporte marítimo para o fornecimento de combustíveis, ficando especialmente expostos a interrupções nas cadeias logísticas internacionais. Esta realidade estrutural impõe soluções diferenciadas, planeamento próprio e uma salvaguarda reforçada nos mecanismos nacionais de prevenção e resposta a crises energéticas”, afirmou Berta Cabral, citada na nota de imprensa.
Face ao atual contexto, o Governo dos Açores “exige que o Governo da República tenha em conta, de forma clara e consequente, as especificidades das regiões autónomas", já que a "condição arquipelágica e ultraperiférica acentua de forma significativa a vulnerabilidade a ruturas no abastecimento energético”.
A secretária regional alertou que “qualquer interrupção” no abastecimento de combustíveis poderá “colocar em risco” o “fornecimento de eletricidade” nos Açores e considerou “imprescindível que os planos nacionais de contingência energética integrem expressamente as regiões autónomas”.
“O abastecimento regular de combustível de aviação (jet fuel) é absolutamente crítico para a coesão territorial, para a continuidade do serviço público de transporte aéreo e para a segurança das populações. Qualquer falha neste domínio teria consequências imediatas e extremamente gravosas para a região”, reforçou.
Berta Cabral reconheceu que a gestão das reservas nacionais cabe à Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), mas sinalizou que a mobilização “depende de decisões atempadas, de planeamento logístico específico e de uma articulação institucional estreita e permanente” entre a República e os Açores.
“A salvaguarda do abastecimento de combustíveis na Região Autónoma dos Açores não é apenas uma questão operacional. É uma condição essencial da coesão territorial, da segurança energética nacional e da proteção dos direitos fundamentais”, vincou.
A Comissão Europeia antecipou hoje “meses e anos muito difíceis” devido à atual crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente, admitindo pressão sobre o combustível para aviação e preocupação relativamente ao turismo da União Europeia (UE).
A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.
