O entusiasmo tomou conta da Aula Magna na Universidade dos Açores quando dezenas de crianças entre os seis e os dez anos gritaram em uníssono “sim” ao desafio lançado em palco: “Querem fazer parte da Patrulha Ação Azul? Querem ser guardiões do mar dos Açores?”. O “sim” foi alto e sem hesitação no final da apresentação da coleção infantil “Patrulha Ação Azul”, uma iniciativa do Blue Azores com o apoio do Oceanário de Lisboa.
Durante
a dinâmica conduzida por Rita Borges e Natacha Moreira, do Oceanário de
Lisboa, os alunos participaram e refletiram sobre o mar e as espécies
que nele vivem.
Quando foram desafiados a pensar no que diriam às
pessoas se fossem o próprio oceano, as respostas foram bastante
espontâneas e parecidas: “Para proteger o mar, para não pôr lixo no
mar”; “Para parar de poluir porque os animais morrem por causa do lixo”;
“Para parar de poluir porque os animais vivem no mar”. Houve ainda uma
criança de seis anos que disse apenas “Patrulha Ação Azul”.
Sobre o que é o mar, esta parecia ser uma pergunta mais difícil: “Eu sei coisas do mar, mas já esqueci”, enquanto outra criança de sete anos respondeu “é azul”.
A apresentação deixou conhecimento, mas também selou um compromisso. Muitas crianças garantiram que iam levar para casa a mensagem e influenciar quem está à sua volta para comportamentos mais responsáveis, dizendo às famílias para “parar de fazer poluição”, “para pararem de poluir algo que é mais belo do que já é” e lembrar que “a gente não pode pôr lixo no mar”.
Depois da distribuição dos livros, as crianças regressaram aos seus lugares e a curiosidade de folhear as páginas tomou conta dos mais novos. Já faziam planos para a leitura em família, com irmãos, pais e avós. Mas, apesar de ainda não terem lido o livro na integra, já havia primeiras impressões: “Ainda não li direito, mas eles procuram... eles buscam uma solução” e ainda “eles estão fazendo uma limpeza no mar”.
A importância de proteger o mar já é conhecida por muitos: “tem oxigénio” e “os animais também têm vida”. E, para algumas crianças, a sessão teve um entusiasmo extra por acontecer na Universidade dos Açores: “Foi fixe, é a escola dos grandes”. À saída todos concordaram que aprenderam coisas novas, e uma das crianças sublinhou a que para si foi a melhor descoberta: “Não sabia que a língua da baleia azul pesava o mesmo que uma vaca”.
As personagens da “Patrulha Ação Azul” deram vida a esta missão, foram apresentadas como um grupo de amigos com um objetivo em comum: conhecer e proteger o oceano. O polvo Óscar já é um dos favoritos entre os mais novos, por ter três corações e oito braços, além de inventar soluções para salvar o mar.
Carminho, uma cavalo-marinho vaidosa e determinada, é outra das personagens, bem como Carlota, uma cachalote. Carlota tem a que tem o cérebro maior do grupo e está sempre ponta a aprender mais sobre o oceano. Outro companheiro é o tubarão Sebastião que acha que está sempre doente com todas as doenças do oceano. Mas, apesar de ser o mais medricas do grupo, mostra coragem quando é preciso proteger os amigos. A patrulha fica completa com a Ana e com o Guilherme, duas crianças que ajudam os animais a fazer a ponte entre o mundo marinho e os humanos.
A sessão marcou o início da entrega de cerca de 10 mil livros pelos alunos do 1.º ciclo dos açores. Ontem, cerca de 320 crianças de escolas de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Lagoa receberam exemplares.
A
iniciativa integra o programa Educar para uma Geração Azul (EGA),
promovido pela Fundação Oceano Azul e pelo Oceanário de Lisboa.
Implementado nos Açores desde 2019, no âmbito do Blue Azores e com o
apoio da Secretaria Regional da Educação e Administração Educativa, o
programa já envolveu mais de 6500 alunos e formou mais de 430
professores na região, com o objetivo de aproximar os mais novos do mar e
torná-los mais conscientes do seu papel na proteção do oceano.
