Açores começam a ser vistos como destino caro

Berta Cabral reconhece que os Açores estão a ser associados a um destino caro, devido ao aumento dos preços do alojamento, do aluguer de viaturas e das passagens aéreas, e defende a criação de pacotes turísticos integrados para atrair visitantes, sobretudo na época baixa



A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, reconhece que os Açores começam a ser conotados como um destino caro, apontando o aumento dos preços do alojamento, do aluguer de viaturas e das viagens como fatores que podem comprometer a competitividade do arquipélago.

A governante admite que as tarifas aéreas para a Região são excessivas, mas defende que a criação de pacotes turísticos integrados depende da articulação entre companhias aéreas, alojamentos, rent-a-car e operadores turísticos.

Questionada sobre as medidas concretas que o Governo Regional está a desenvolver para baixar o preço das viagens, a responsável afirmou que “quem tem que negociar os pacotes é a Visit Azores”. Ao Governo, explicou, cabe a promoção do destino nos mercados nacional e internacional.

A governante defendeu que é “fundamental começar a fazer tour operação” de modo a facilitar a chegada de turistas na época baixa. “O turista nacional é muito sensível ao preço e é muito sensível ao pacote integrado”, afirmou.

Quebra das dormidas não é considerada alarmante

Apesar do decréscimo do número de dormidas em relação a 2025, a secretária regional considera que a situação não é preocupante, uma vez que os valores permanecem acima dos registados em 2024.

“O número de dormidas é superior a 2024 e é inferior a 2025. E, portanto, por isso é que digo que o decréscimo não é alarmante. É um decréscimo absolutamente recuperável, desde que seja recuperável com sustentabilidade, com qualidade, com uma oferta de experiências autênticas como sempre tivemos para não descaracterizar nem a nossa identidade nem os Açores”, disse, no encontro das Casas Açorianas.

Na ocasião sublinhou que o objetivo da política turística não passa apenas por aumentar o número de visitantes, mas também por elevar o rendimento que estes deixam na Região. “O nosso propósito é aumentar em termos de número de dormidas e em número de visitantes. Mas o nosso propósito também é aumentar o número de valor, de rendimento que os turistas deixam nos Açores. E esse rendimento que os turistas deixam nos Açores não diminuiu, aumentou”, afirmou.

Sob a influência da inflação nos resultados do setor, a governante distinguiu o número de dormidas do rendimento gerado pelo turismo e reconheceu que o aumento dos combustíveis e a redução do poder de compra das famílias condicionam as escolhas de viagem.

Governo rejeita responsabilidade pela saída da Ryanair

Questionada sobre a saída da Ryanair e a falta de concorrência nas ligações aéreas aos Açores, a secretária regional rejeitou que tenha existido um erro por parte do Governo. “A Ryanair foi-se embora. É uma empresa privada. Ninguém pode aguentar qualquer empresa privada de fazer aquilo que ela comercialmente quer fazer”, declarou.

Confrontada com os números de passageiros que a companhia transporta para a Madeira, a governante considerou que os dois arquipélagos apresentam características distintas.
Ainda assim, reconheceu a importância da estratégia de pacotes turísticos utilizada pela Madeira, que considera poder contribuir para aumentar a procura nos Açores.

Alojamento local aumentou 9600 camas

Berta Cabral revelou que o alojamento local aumentou em 9600 camas nos últimos quatro anos, um crescimento que considera relevante para compreender as dificuldades sentidas por alguns empresários do setor. 

“9600 camas são 96 hotéis, 100 camas”, disse, salientando a dimensão do aumento da oferta.

Confrontada com as queixas relativas à falta de promoção turística, a governante respondeu que os empresários também reconhecem o crescimento do alojamento local. Garantiu ainda que já reuniu várias vezes com representantes do setor e mostrou disponibilidade para voltar a fazê-lo.

Candidaturas ao Construir 2030 somam 500 milhões de euros

Relativamente aos investimentos candidatos ao programa Açores Construir 2030, integrado no Açores 2030, a governante apontou um valor global de 500 milhões de euros.
“500 milhões de euros é efetivamente um grande sinal de confiança dos empresários no setor do turismo”, afirmou.

Berta Cabral não avançou, contudo, o número de empreendimentos candidatos nem o total de camas previsto, esclarecendo que os projetos ainda não estão aprovados. Defendeu que a Região deve apostar em unidades de elevada qualidade, nomeadamente hotéis e apartamentos de cinco estrelas, considerando que o “nosso turismo tem de ser qualificado” para reforçar o posicionamento dos Açores como destino.



PUB

A Ordem dos Enfermeiros dos Açores inicia, na segunda-feira, a iniciativa “Ordem Presente nos Açores”, um roteiro de proximidade que decorrerá até 06 de novembro e que abrangerá várias ilhas do arquipélago