No primeiro discurso proferido no âmbito da cimeira entre a UE e o Canadá, que se realiza entre hoje e sexta-feira em Montreal, Ursula von der Leyen reiterou a proposta que já tinha feito no discurso do Estado da União, em setembro, no Parlamento Europeu, e que tem encontrado resistência entre alguns Estados-membros do bloco comunitário.
Países como a Alemanha ou a França opõem-se à criação deste estatuto, por considerarem que os seus moldes deveriam ter sido definidos antes de ser apresentado ao Canadá, além de criticarem Von der Leyen por ter feito a proposta sem os ter consultado previamente.
Nesse sentido, pediram que a menção “membro associado” seja retirada da declaração final da cimeira, que irá ser divulgada na sexta-feira.
Apesar destas críticas, no discurso que fez hoje em Montreal, Von der Leyen voltou a defender a atribuição desse estatuto ao Canadá, reconhecendo que é impossível Otava tornar-se “um membro de pleno direito” da UE devido à sua localização geográfica.
“Mas ambos queremos elevar a nossa relação ao nível mais elevado possível e é por isso que estamos a discutir a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da UE”, salientou a presidente da Comissão Europeia.
Von der Leyen destacou que o estatuto de membro associado significaria uma “associação sem adesão”, que se traduziria numa “ambição e visão comuns” e numa “parceria mais próxima da condição de membro” do que qualquer outra que a UE tenha estabelecido até hoje.
“Como é que podemos lá chegar? Em primeiro lugar, através de uma estreita convergência de políticas. Podemos trabalhar em todas as áreas, desde a Inteligência Artificial ao clima, passando pela energia e a segurança”, elencou.
A presidente da Comissão Europeia frisou ainda que o estatuto de membro associado implicaria também uma “maior colaboração entre a Comissão Europeia e o Governo canadiano”, além de poder também envolver uma colaboração a nível judicial e parlamentar.
O estatuto de membro associado, prosseguiu Von der Leyen, implicaria também que as duas partes se alinhassem a nível de cooperação académica, permitindo que o Canadá entrasse no programa de intercâmbio universitário Erasmus+ ou que reforçasse a sua participação no programa de investigação da UE Horizonte Europa.
“Em suma, é isto que significa o estatuto de membro associado. Destina-se exclusivamente aos nossos parceiros mais próximos fora da Europa, que estejam preparados para abrir connosco uma nova fronteira e traçar, em conjunto, o caminho a seguir”, resumiu.
Von der Leyen acrescentou ainda que “não consegue imaginar parceiro mais natural” do que o Canadá para estrear esse estatuto.
Depois, a presidente da Comissão Europeia defendeu que o atual momento histórico “exige mais” de todos, salientando que se está a assistir uma “deterioração cada vez mais profunda da ordem internacional”.
“Já não podemos permitir que os limites da antiga ordem mundial nos condicionem. Conhecemos os riscos que isso implica, mas também vemos um novo caminho a seguir, uma nova fronteira: precisamos de imaginar parcerias assentes na confiança e impulsionadas por interesses e convicções comuns”, pediu.
Von der Leyen disse querer construir com o Canadá um “espaço comum de crescimento, prosperidade, resiliência e segurança económica”, propondo medidas como o desenvolvimento conjunto de modelos de Inteligência Artificial ou uma maior integração dos mercados nas cadeias de abastecimento estratégicas.
