Ursula von der Leyen deixou este agradecimento durante um discurso no parlamento húngaro, em Budapeste, numa sessão comemorativa dos 70 anos da revolução húngara de 1956, duramente reprimida pela então União Soviética.
Perante os deputados, Von der Leyen salientou que, há 70 anos, o povo húngaro “ergueu-se com intenções pacíficas, uma clareza moral e uma coragem extraordinárias, para lutar pela liberdade, pela democracia e pela Europa”.
“Nas imagens de estátuas de Estaline a serem derrubadas, nas notícias sobre estudantes de medicina a tratarem dos feridos e nas vozes da rádio ‘Free Hungary’, que continuou a emitir até ao último momento, a Europa e o mundo olharam para a Hungria e encontraram esperança”, destacou.
A presidente da Comissão Europeia considerou que esse dia mostrou, contudo, que o “triunfo da democracia não está garantido” e que a História “não segue um caminho linear”, mas que “cada geração tem de renovar as suas liberdades e revitalizar as suas democracias”.
Depois, fez um paralelismo com o presente, que recebeu de imediato um aplauso do hemiciclo.
“Eu não preciso de vos dizer o que significa revitalizar a democracia. Há seis meses, o povo húngaro escolheu um novo capítulo. Escolheu virar a página de anos de divisão, de confiança minada, de liberdades restringidas e de prosperidade comprometida”, salientou.
Von der Leyen frisou que, após as eleições de 12 de abril na Hungria, que ditaram a derrota de Viktor Orbán, que governava o país há 16 anos, “as pessoas juntaram-se nas ruas” de Budapeste, “desconhecidos abraçaram desconhecidos” e viu-se uma “manifestação espontânea de alegria, genuína, criativa, cheia de esperança”.
“Aqui, nas margens do Danúbio, onde há 70 anos as pessoas marcharam e morreram para conquistar a democracia na Hungria, nessa noite [de 12 de abril] as pessoas dançaram e celebraram a revitalização da democracia húngara”, destacou.
Para Ursula von der Leyen, no dia 12 de abril como há 70 anos, o povo húngaro “voltou a enviar ao mundo uma mensagem de esperança”.
“A de que o retrocesso democrático pode ser revertido, de que a desinformação e a disseminação do medo podem ser derrotadas, de que o futuro da democracia está nas mãos do povo e que, juntos, faremos prevalecer a democracia”, salientou.
Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que participou igualmente nesta sessão do parlamento húngaro, frisou que, em 2004, ao aderir à União Europeia (UE), a Hungria “confirmou o que mil anos de história já mostravam: que a nação húngara pertence ao coração da Europa”.
De seguida, Costa recusou a ideia de que a UE implique uma perda de soberania ou subjugação das identidades nacionais - um argumento muitas vezes utilizado pelo anterior Governo de Viktor Orbán -, frisando que, pelo contrário, a força do bloco está precisamente na sua diversidade cultural, linguística e de tradições.
“Os nossos esforços constantes para construir a unidade europeia não ameaçam as identidades nacionais. Pelo contrário, ao reforçar a competitividade, defesa e autonomia estratégica da Europa e ao proteger as nossas fronteiras comuns, as nações da UE estão a reforçar-se a si próprias”, salientou.
A revolução húngara foi a primeira grande revolução contra o regime comunista da União Soviética.
Duas semanas e meia depois, acabou esmagada com a invasão da capital húngara pelos tanques soviéticos. Estima-se que cerca de 3 mil pessoas terão morrido.
