Estratégia de vacinação em discussão

Vírus do papiloma humano é um dos mais difíceis de estudar


 

Lusa / AO online   Nacional   27 de Set de 2007, 16:01

A Direcção-Geral da Saúde considera que o vírus do papiloma humano, que pode provocar cancro do colo do útero, é uma das doenças mais difíceis de estudar, continuando em curso "reuniões de rotina" para avaliar as estratégias de vacinação mais adequadas.
“A infecção por vírus do papiloma humano (VPH) não é uma doença linear, porque pode regredir ou progredir. Tem um percurso que a torna uma doença complicada de estudar", afirmou à agência Lusa Graça Freitas, subdirectora-geral da Saúde.

Cerca de 70 por cento das pessoas são infectadas em qualquer altura da vida pelo vírus do papiloma humano, que pode provocar cancro do colo do útero, mas a maior parte das infecções regride espontaneamente.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) e a Comissão Técnica de Vacinação têm levado a cabo reuniões de rotina onde é feita uma análise técnica sobre o risco/benefício da vacinação contra o VPH para a saúde pública, a última das quais decorreu na semana passada.

"Reuniremos até ter dados para, com alguma evidência científica, propormos um dia ao senhor ministro da Saúde estratégias em relação à vacinação", explicou Graça Freitas.

De um modo geral, as estratégias podem ser de vacinação universal (incluída no Programa Nacional de Vacinação) ou dirigir-se a determinados grupos, como acontece com vacinas que são recomendadas, por exemplo, a quem viaja para países onde existe uma determinada doença (como no caso da febre amarela).

"Preocupamo-nos com o impacto da vacina na saúde pública, porque a vacina tem impacto no sistema imunitário da pessoa vacinada, na dinâmica dos microorganismos e também em todo o ambiente", disse a responsável.

"Tem de haver uma mais-valia para a saúde pública. Caso contrário é um acto individual e, nesse caso, a vacina está disponível no mercado, pode ser comprada e tomada por cada um", acrescentou.

A vacina, que no total das três doses necessárias custa 480 euros, foi colocada no início do ano à venda em Portugal e tem de ser totalmente paga pelas mulheres que optem pela sua toma.

A subdirectora-geral da Saúde frisou ainda que o trabalho que é feito pela DGS e pela Comissão Técnica de Vacinação nada tem a ver com a comparticipação que é ou não dada às vacinas.

A comparticipação de uma vacina é requerida pela empresa que a comercializa, que tem de apresentar um estudo ao Infarmed, que pode recomendar a sua comparticipação ao ministro da Saúde, a quem cabe a decisão final.

Aliás, a autoridade da farmácia e do medicamento está a analisar dois estudos de custo-efectividade da vacina.

Em Abril, o PS rejeitou no Parlamento um projecto de resolução do Partido Ecologista "Os Verdes" que recomendava ao Governo a inclusão da vacina contra o VPH no Programa Nacional de Vacinação.

O cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos - uma por dia em Portugal - e destrói a vida sexual, familiar e social das que sobrevivem.
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