Veleiros proibidos de atracar nas Flores

Informação transmitida pela GNR impede tripulação de veleiros de desembarcar no porto das Lajes das Flores, mesmo sendo proveniente do espaço Schengen. Economia local pode sofrer impacto, visto que anualmente chegam, em média, cerca de 300 veleiros à ilha. Tema já foi levantado pela Iniciativa Liberal/Açores, que pediu esclarecimentos ao Governo Regional



A entrada marítima mais ocidental da Europa encontra-se vedada aos veleiros e às suas tripulações, depois de na última semana a Guarda Nacional Republicana (GNR) ter anunciado a proibição da entrada de embarcações de recreio provenientes de fora do espaço Schengen (zona de livre circulação de pessoas e bens em 29 países europeus).

Segundo apurou o Açoriano Oriental, a indicação foi dada pelo Comandante do Destacamento de Guarda de Fronteiras dos Açores - Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR, que esclarece que qualquer atracagem e desembarque só pode acontecer num dos três Postos de Fronteira existentes na região (Ponta Delgada,  Horta, Praia da Vitória e Angra do Heroísmo), locais onde existem recursos e meios para garantir o controlo eficaz das fronteiras externas da União Europeia.

Ora, o porto das Lajes das Flores não dispõe de um Posto de Fronteira, pelo que o fluxo de veleiros que provinha de Ocidente poderá vir a sofrer um travão. Segundo a GNR, as embarcações e respetivas tripulações só podem entrar livremente na ilha apenas se vierem do espaço Schengen e já tiverem passado por um posto de de controlo fronteiriço. Fora isso, seja qual foi a bandeira do veleiro ou a nacionalidade da tripulação, a entrada nas Flores está proibida.

As únicas exceções prendem-se com situações de caráter de necessidade especial, como abastecimento de combustível ou mantimentos; ou emergências médicas.

O apertar das restrições é uma situação nova, que não se colocou nos últimos anos, e que certamente dirá respeito à maior atenção às fronteiras externas da União Europeia, à luz do contexto internacional.

No entanto, e como reconhece a própria autoridade no documento consultado pelo Açoriano Oriental, as Flores são o território mais ocidental do espaço Schengen, ou seja, o primeiro ponto de paragem de todas as embarcações que provêm do continente americano.

Anualmente, às Lajes das Flores chegam, entre os meses de abril e outubro, uma média de 300 veleiros, que correspondem a quase um milhar de pessoas que, habitualmente, desembarcavam na ilha, seja para descanso, aquisição de mantimentos, reparações ou lazer.

Com a proibição instituída pela GNR, a economia local pode sentir os reflexos da redução significativamente drástica da entrada de tripulantes.

O Açoriano Oriental procurou ouvir o presidente da Câmara Municipal das Lajes das Flores, o socialista Beto Vasconcelos, mas não foi possível até ao fecho da edição.
Entretanto, o assunto já chegou ao parlamento regional, por mão da Iniciativa Liberal Açores. Segundo o deputado Pedro Ferreira, as restrições levantam dúvidas legais e ameaçam a economia local.

No requerimento enviado ao parlamento, o deputado da IL/Açores considera que está a ser feito uma interpretação “excessivamente restrita da lei” por parte da GNR e questiona o Governo Regional sobre o assunto, levantando como alternativas a criação de postos de controlo sazonais ou equipas móveis de controlo.

O partido defende, assim, “uma solução equilibrada que garanta a segurança das fronteiras externas da União Europeia sem comprometer o desenvolvimento económico das regiões ultraperiféricas”, até porque, acrescentou Pedro Ferreira, “as Flores não podem ser penalizadas por falhas do Estado. É urgente encontrar uma solução que respeite a lei sem asfixiar a economia local”.

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