Maryna Mykhailenko, embaixadora da Ucrânia na República Portuguesa, contou, numa entrevista ao jornal Açoriano Oriental, que existe “um enorme espaço de cooperação” entre os Açores e três regiões ucranianas. Destacou também algumas áreas estratégicas, como a tecnologia de drones, a digitalização e a inovação tecnológica.
Durante uma visita oficial à Região, a diplomata explicou que o objetivo é aprofundar a cooperação inter-regional entre Portugal e a Ucrânia, numa altura em que Kiev quer reforçar relações institucionais e económicas com outros países europeus.
“Os Açores são uma das regiões autónomas de Portugal, é muito importante, achamos que existe um espaço enorme para a cooperação”, afirmou, acrescentando que já foi feita uma proposta ao Governo dos Açores para que se crie contactos diretos entre a Região e três regiões ucranianas com grande atividade portuária.
A tecnologia de drones é uma das áreas prioritárias, sendo que é um setor onde a Ucrânia tem vindo a adquirir cada vez mais experiência nos últimos anos, segundo Maryna Mykhailenko.
“Temos experiência em tecnologia de
drones, tecnologia de informação e digitalização. A Ucrânia não quer
apenas pedir ajuda, tem também algo para oferecer”, sublinhou a
embaixadora.
A vinda ao Açores é resultado também de um projeto de
intercâmbio juvenil realizado no ano passado, em Liviv, na Ucrânia, em
parceria com representantes da Comissão Europeia.
Nesta iniciativa participaram 20 jovens ucranianos e 20 portugueses. Destes, dois jovens eram açorianos. Maryna Mykhailenko contou que um dos jovens da Região acabou por convidar a delegação ucraniana a visitar os Açores e a participar numa conferência universitária: “Pensamos que também existe potencial de cooperação entre universidades”, afirmou.
Durante a entrevista ao jornal Açoriano Oriental, Maryna Mykhailenko elogiou o apoio que Portugal tem prestado desde o início da guerra, e considera que tem sido “um dos países que mais apoia a Ucrânia”.
Explicou que Portugal acolhe agora cerca de 90 mil cidadãos ucranianos. Este número inclui a comunidade que já residia antes da guerra, bem como os refugiados recebidos a partir de 2022: “Temos cerca de 30 mil ucranianos da antiga diáspora e chegaram mais 60 mil depois do início da guerra”, afirmou a diplomata.
Maryna Mykhailenko mencionou ainda o apoio financeiro, militar e, sobretudo, humanitário português. Além disso, sublinhou o o apoio político português no que diz respeito ao processo de adesão à União Europeia.
Quanto à comunidade ucraniana que reside hoje nos Açores, a embaixadora adiantou que o objetivo é aproveitar esta visita também para reunir com os representantes locais para avaliar as necessidades e dificuldades que existem a nível de integração.
Ainda assim, disse que, de uma forma geral, os cidadãos ucranianos “foram muito bem recebidos pelos portugueses” e que muitos já se encontram integrados no mercado de trabalho além de “os nossos jovens já frequentarem também as vossas escolas, não vemos grandes problemas”. A diplomata estima que cerca de 150 cidadãos ucranianos vivam, neste momento, na ilha de São Miguel.
Sobre o regresso dos refugiados à
Ucrânia após o fim da guerra, Maryna Mykhailenko admitiu que essa é a
grande vontade do Governo da Ucrânia: “O principal ativo de qualquer
país são as pessoas. Esperamos, sinceramente, que muitos regressem assim
que a situação de segurança o permitir”, concluiu.
