Médio Oriente

Trump anuncia cessar-fogo de dez dias no Líbano

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias no Líbano, após falar com os líderes israelita e libanês, dando seguimento aos primeiros contactos entre os dois países com vista a um acordo de paz



"Acabei de ter excelentes conversas com o muito respeitado Presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Estes dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre os seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de dez dias”, escreveu Trump na sua rede Truth Social.

A trégua tem início hoje às 22h00 (hora de Lisboa, menos uma nos Açores), segundo o líder norte-americano, que pretende convidar Aoun e Netanyahu para se deslocarem à Casa Branca, em Washington.

"Ambos os lados querem a paz, e acredito que isso acontecerá rapidamente", acrescentou Trump, sem precisar nenhuma data para os contactos entre os dois líderes.

O cessar-fogo vinha sendo reclamado pelas autoridades do Líbano, após um mês e meio de bombardeamentos israelitas e incursões terrestres contra alegados alvos do grupo xiita Hezbollah, que já provocaram 2.196 mortos, dos quais 172 eram crianças, e mais de um milhão de deslocados, segundo o último balanço hoje divulgado pelo Ministério da Saúde libanês.

Fontes do Governo do Líbano indicaram que Aoun rejeitou falar hoje por telefone com Netanyahu e que informou sobre essa recusa ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anfitrião da primeira reunião, na passada terça-feira em Washington, entre representantes libaneses e israelitas em mais de 30 anos.

Na sua mensagem, Donald Trump indicou que deu instruções ao seu vice-presidente, JD Vance, a Rubio e ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, no sentido de “trabalharem com Israel e o Líbano para alcançar uma paz duradoura".

O líder da Casa Branca adicionou que tem sido “uma honra resolver nove guerras em todo o mundo” e alegou que a do Líbano “será a décima".

Antes do anúncio do cessar-fogo, o Presidente libanês defendeu que a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano “é um passo fundamental para consolidar” uma eventual trégua, bem como permitir a deslocação do Exército libanês para a fronteira entre os dois países, “alargando plenamente a autoridade do Estado e pondo fim a qualquer presença armada", referindo-se tanto aos militares israelitas como às milícias do Hezbollah.

Benjamin Netanyahu insistiu pelo seu lado, na quarta-feira, que um dos principais objetivos das negociações com o Líbano é o desmantelamento do grupo xiita aliado do Irão, ao mesmo que prosseguia a sua campanha militar no país vizinho e apesar do diálogo iniciado com Beirute.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, tinha exigido na segunda-feira o cancelamento do encontro em Washington, defendendo que este diálogo constitui uma capitulação de Beirute e não pode prosseguir sem um consenso interno.

As milícias do grupo libanês retomaram os ataques contra o território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra Israel.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.

O Irão tem insistido que o Líbano seja incluído no cessar-fogo com os Estados Unidos e aceite por Israel, em vigor desde a semana passada para o conflito no Golfo, uma exigência rejeitada por Washington e Telavive.

Em comunicado após a primeira reunião na terça-feira entre os embaixadores de Israel e do Líbano, o Departamento de Estado norte-americano indicou que qualquer acordo de cessar-fogo “deve ser alcançado entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não através de qualquer via paralela”, em alusão às conversações entre Washington e Teerão.

Na mesma nota, a diplomacia norte-americana reafirmou o "apoio ao direito de Israel de se defender contra os ataques implacáveis do Hezbollah”, bem como ao Líbano nos esforços para restaurar o monopólio estatal da força e “pôr fim à influência opressiva do Irão”.

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