Taxa de fumadores aumenta entre jovens de 13 e 14 anos

Taxa de fumadores aumenta entre jovens de 13 e 14 anos

 

Lusa / AO online   Nacional   8 de Nov de 2007, 23:23

O director da Faculdade de Medicina do Porto, Agostinho Marques, mostrou-se preocupado com o aumento da taxa de fumadores entre os adolescentes portugueses com 13 e 14 anos.
Segundo o responsável, nos últimos anos a taxa de fumadores, em termos globais, tem vindo a diminuir, mas tem aumentado "nos miúdos de 13/14 anos".

"Os dados existentes dizem-nos que no adulto homem [a taxa de fumadores] tem diminuído um pouco, anda nos 31 por cento, mas a diminuir. Na mulher, [a taxa é de] muito menos, 7/8 por cento mas a aumentar", afirmou Agostinho Marques na Guarda, onde participou no 23º Congresso de Pneumologia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, que decorre até sábado e onde as doenças associadas ao tabagismo, estão em discussão.

No entanto, o director da Faculdade de Medicina do Porto, que durante os trabalhos irá apresentar um novo medicamento que ajuda a deixar de fumar, referiu que "hoje há muita gente a deixar de fumar".

"As consultas de cessação tabágica que agora há nos centros de saúde não têm mãos a medir mas, por outro lado, na adolescência, estamos a continuar a perder a guerra, porque os miúdos continuam nas escolas a começar o hábito de fumar".

O responsável defendeu que para alterar este cenário será necessário "fazer um pouco mais do que se tem feito".

"Temos que alterar a conotação do tabaco. O tabaco tem que deixar de ser uma coisa simpática e passar a ser uma coisa feia. Para isso, é preciso que a lei que vai entrar [em vigor] em Janeiro seja exposta com bastante força para dar uma conotação" negativa, defendeu.

"Que quando uma criança vai ao restaurante com o pai e com a mãe perceba que quem fuma está marginalizado lá para o canto, porque cria nele a ideia de que fumar na adolescência é próprio dos tipos que se portam mal", disse, a título exemplificativo.

Para o mesmo responsável, o que hoje acontece "não é assim", antes pelo contrário, "o cigarro é uma forma de afirmação".

"Os miúdos fumam para se afirmar como as mulheres, há poucos anos, também usaram o tabaco como forma de emancipação", acrescentou.

Agostinho Marques defendeu que "é preciso continuar a fazer pedagogia nas escolas, nos professores, nos políticos, nos modelos da comunicação social, para não aparecerem em público a fumar".

"É preciso mudar muito a mentalidade", defendeu.

Sobre a terapêutica nova, utilizada em Portugal desde Março, o director da Faculdade de Medicina do Porto, disse que os resultados obtidos até ao momento são animadores.

O medicamento é tomado durante três meses e "aumenta muito a taxa de sucesso da tentativa de deixar de fumar".

Explicou que "é uma substância parecida com a nicotina, na forma da molécula, é absorvida pelo estômago e vai ligar-se no cérebro aos mesmos receptores onde se liga, normalmente, a nicotina".

Disse que enquanto a pessoa o estiver a tomar "por um lado, deixa de ter prazer pelo cigarro e, por outro, não sente a necessidade do cigarro porque ela [a substância] o substitui no cérebro".

Agostinho Marques indicou que só haverá números concretos sobre a eficácia do medicamento ao fim de um ano, mas que tem "a noção bem clara de que os doentes fumadores que tomam o medicamento ficam eufóricos e satisfeitos porque estão a conseguir".

O congresso da SPP, que decorre até sábado nas instalações do Teatro Municipal da Guarda, contará com a presença de cerca de 350 profissionais e especialistas nacionais e internacionais, que durante três dias debatem temáticas relacionadas com problemas de saúde associados ao hábito de fumar.
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