Subida do desemprego é consequência da crise financeira na UE

Subida do desemprego é consequência da crise financeira na UE

 

Lusa/AO online   Economia   19 de Nov de 2012, 14:00

O comissário europeu do Emprego, László Andor, considerou esta segunda-feira que o aumento do desemprego é uma consequência da crise económica e financeira que a União Europeia atravessa, reconhecendo a necessidade de reforçar o orçamento plurianual dos Estados-membros.

"Sabemos que [a taxa de] desemprego tem vindo a aumentar no período recente, não só em Portugal, mas na maioria dos Estados-membros. Infelizmente, continuamos a enfrentar as consequências da crise económica e financeira", afirmou o comissário aos jornalistas no final de uma audição conjunta das comissões do Emprego e Assuntos Europeus, no Parlamento.

László Andor reconheceu que no momento atual, "em muitos países, tem de haver um esforço para lidar com a crise da dívida e as consequências [da crise da dívida], infelizmente, que têm sido uma realidade, em particular entre os jovens", cuja taxa de desemprego tem vindo a aumentar exponencialmente.

Nesse sentido, e numa tentativa de combater esta realidade, o comissário europeu do Emprego destacou a necessidade de os Estados-membros "alcançarem um acordo" na próxima cimeira extraordinária destinada a discutir o quadro financeiro plurianual.

"O debate em torno do orçamento europeu é muito importante e precisamos de reforçar as verbas disponíveis para poder ajudar os novas gerações", enfatizou o responsável europeu.

Relativamente às medidas de austeridade aplicadas em Portugal e questionado sobre se a sua aplicação extrema poderá conduzir a um aumento ainda maior da taxa de desemprego, László Andor preferiu sublinhar o trabalho feito pelo Executivo numa tentativa de travar esta subida, em particular, entre os mais jovens.

"A Comissão Europeia (CE) levou a cabo um conjunto de iniciativas de combate ao desemprego para ajudar, em particular, os mais novos, alocando um grande montante dos fundos estruturais a oito Estados membros”, adiantou.

No caso concreto de Portugal, "essa ajuda financeira já está a ajudar diretamente 90 mil jovens. Mas obviamente, temos de fazer mais", sublinhou.

O Conselho de Ministros aprovou a 06 de junho o programa "Impulso Jovem" que possui um fundo superior a 344 milhões de euros e que cobre um universo de 90 mil jovens, que dará prioridade às chamadas regiões de convergência (Norte, Centro e Alentejo).

Entre as várias medidas que compõem este programa está o 'passaporte emprego', que garante, no final de um estágio profissional de seis meses (com formação profissional mínima de 50 horas), um prémio de integração caso ocorra a celebração de um contrato de trabalho sem termo.

Este prémio de integração será de montante variável, dependente da dimensão da entidade empregadora e da remuneração paga", revelou então o Executivo.

O 'passaporte emprego' irá abranger 19.264 jovens, representando um custo 84,2 milhões de euros assegurados pelo FSE.

O Plano Estratégico de Iniciativas de Promoção da Empregabilidade Jovem e de Apoio às PME assenta em três pilares: estágios profissionais, apoio à contratação, à formação profissional e ao empreendedorismo, e apoios ao investimento.

O acompanhamento do Plano será garantido através de uma comissão presidida pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e reunir-se-á mensalmente com os parceiros sociais para garantir a monitorização externa da execução do Programa.

Integram também a comissão os secretários de Estado da Administração Pública, do Desporto e Juventude, da Economia e do Desenvolvimento Regional, do Emprego, da Agricultura, do Ensino Superior e da Solidariedade Social.

Antes da sua presença na Assembleia da República, o Comissário europeu do Emprego esteve esta manhã na conferência "Envelhecimento e Inovação Social", com o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares. Esta tarde, tem encontro marcado com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.


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