Chega/Açores quer “contrapartidas reais” pelo uso da Base das Lajes

O Chega/Açores defendeu que é necessário “garantir contrapartidas reais” para a região pelo uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos, num debate em que os partidos discordaram sobre o momento para rever o acordo bilateral



“O que o Chega/Açores defende é simples: é necessária clareza sobre o futuro da Base das Lajes, é necessário garantir contrapartidas reais para os Açores e é necessário aproveitar plenamente o potencial logístico da infraestrutura existente”, afirmou José Pacheco, no plenário da Assembleia Regional, na Horta, num debate de urgência solicitado pelo partido sobre a “avaliação estratégica” da Base das Lajes.

O deputado lembrou que os “Açores já provaram muitas vezes o seu valor estratégico”, considerando “agora ser tempo” de “garantir que esse valor também se traduz em desenvolvimento para os açorianos”.

“Os Açores também têm de ser estratégicos para os açorianos, porque aquilo que não podemos aceitar é que os Açores sejam estratégicos para o mundo, mas continuem periféricos nas decisões que os afetam”, salientou.

O também líder do Chega nos Açores considerou “ser este o tempo” de “começar a revisão” do Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, posição que mereceu a discórdia do vice-presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), que disse ser uma “imprudência” a revisão no atual contexto internacional.

No debate, o liberal Nuno Barata defendeu também ser “hora da região bater o pé e sentar-se à mesa com Lisboa” para promover a revisão do acordo.

 “É no momento em que os atores externos olham para a nossa geografia como geoestratégica que temos de afirmar esta importância”, sinalizou o parlamentar da IL.

António Lima (BE) considerou uma renegociação do acordo como “antipatriótica” e reiterou que “manter uma força militar estrangeira” em território açoriano é um “erro”.

Já o PPM, pelo deputado João Mendonça, avisou, a propósito da revisão do acordo, que “quem negoceia no meio do ruído arrisca-se a negociar mal”.

Pelo CDS-PP, Pedro Pinto defendeu a importância de os Açores terem uma “voz forte e cooperante”, argumentando que quando a região tem “capacidade de decisão os problemas resolvem-se”.

Pedro Neves (PAN) criticou a atitude de “complacência e silêncio” do Governo dos Açores para “não desagradar” os Estados Unidos durante o ataque americano ao Irão.

No final da sessão, o presidente da Assembleia Regional, não tendo mais inscrições e após um período de espera, deu a palavra a José Pacheco para concluir o debate, tendo posteriormente mostrado a intenção de dar a palavra ao deputado do PS Vasco Cordeiro.

Contudo, perante a ameaça de José Pacheco em retirar-se da sala em protesto, Luís Garcia acabou por permitir ao Chega encerrar o debate, que acabou por não contar com intervenções de PS e PSD.

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