"A saúde deve ser protegida a todo custo e nunca estar à mercê da geopolítica, dos bloqueios energéticos e das falhas de eletricidade", o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede social X.
"A situação em Cuba é profundamente preocupante, pois o país luta para manter a prestação de serviços de saúde num momento de enormes turbulências, provocando carências de energia que afetam a saúde", acrescentou.
A deficiência do sistema cubano de produção de eletricidade provoca cortes de energia diários que podem durar até 20 horas. A ilha carece do combustível necessário para produzir a eletricidade de que necessita.
Desde a captura pelos Estados Unidos do principal aliado de Cuba, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 03 de janeiro, a economia da ilha foi ainda mais duramente atingida, enquanto o presidente americano Donald Trump mantém um bloqueio petrolífero de facto ao país.
Nenhuma carga de petróleo foi importada pela ilha desde 09 de janeiro, o que afeta o setor da eletricidade e obriga também as companhias aéreas a reduzir os seus voos para Cuba, um duro golpe para o setor vital da sua economia, o turismo.
Tedros referiu informações da imprensa segundo as quais os hospitais cubanos tiveram dificuldades em manter os seus serviços de urgência e cuidados intensivos.
"Milhares de intervenções cirúrgicas foram adiadas no último mês, e pessoas a necessitar de cuidados de saúde, desde pacientes com cancro até mulheres grávidas preparando-se para o parto, foram colocadas em risco devido à falta de eletricidade para operar os equipamentos médicos e garantir a cadeia de frio para as vacinas", explicou Tedros.
"Os hospitais cubanos, as clínicas e as ambulâncias são necessários, agora mais do que nunca, e devem ser apoiados", acrescentou o responsável máximo da OMS.
Para além dos cortes diários de eletricidade, os preços dos combustíveis dispararam, os transportes públicos são escassos e o lixo acumula-se, já que os camiões de recolha de lixo deixaram de circular.
