"Se houve negligência, será conhecida", declarou o chefe do Governo espanhol, em declarações aos jornalistas no local do acidente, para onde se deslocou ao início da tarde de hoje.
Neste sentido, adiantou que "serão tomadas todas as medidas que se considerem oportunas" e "com total firmeza" para "reconstruir" a confiança no sistema ferroviário espanhol e garantir "ainda mais" a segurança dos passageiros.
"Não é aceitável que um país como Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano", sublinhou o primeiro-ministro, referindo-se ao acidente ferroviário de Adamuz, na Andaluzia, que matou 46 pessoas em janeiro.
Uma colisão entre dois comboios de alta velocidade, pouco antes das 09:00 locais (menos uma hora em Lisboa), causou pelo menos 68 mortos e dezenas de feridos, dos quais 15 em estado muito grave.
O primeiro-ministro ressalvou que tudo indica que os dois acidentes têm causas distintas e acrescentou que as conclusões cabem à Comissão Independente de Acidentes Ferroviários, à justiça e às investigações tanto de Renfe, empresa pública de comboios, como da Adif, que gere as infraestruturas ferroviárias.
Sánchez afirmou que “toda a Espanha está de luto" e anunciou que o Governo vai decretar três dias de luto nacional.
De acordo com um comunicado do Governo, o período de luto entrará em vigor às 24:00 de hoje e prolonga-se até às 24:00 de sábado, "em sinal de condolências com as famílias e as pessoas próximas dos falecidos" no acidente de comboio. Durante este período, a bandeira nacional ficará a meia haste no exterior dos edifícios públicos, incluindo as representações e missões no exterior, e nos navios da Armada.
Sánchez salientou que as prioridades neste momento são esclarecer o que aconteceu e prestar apoio às vítimas e às suas famílias, falando ao lado do presidente do governo regional de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page, e dos presidentes das autarquias de Urda e Los Yébenes, próximos do local do acidente.
Além disso, elogiou o profissionalismo dos serviços de emergência, bem como a coordenação que está a decorrer entre todas as instituições: o Governo central, o governo regional, o Conselho Provincial de Toledo e os municípios, aos quais transmitiu a sua gratidão.
No acidente de hoje, um comboio da empresa privada Iryo, com 147 passageiros, foi abalroado, quando estava parado na via à entrada da estação de Urda, por um comboio de alta velocidade da Renfe, que transportava 378 passageiros.
A colisão fez com vários vagões caíssem de um talude.
Segundo o Governo, o acidente é "verdadeiramente inverosímil" e ocorreu após um dos comboios ter recebido uma ordem "inexplicável" para avançar quando havia um sinal vermelho e outras composições paradas na mesma linha.
