Resíduos “passam” a fertilizantes

O Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel realizou um ensaio na zona de Santana e demonstrou que a utilização de lamas residuais produzidas pela indústria de lacticínios pode resultar num importante fertilizante, por exemplo, na produção de milho para silagem


Aquilo que à partida poderia ser lixo, pode muitas vezes transformar-se em alimento. Um caso concreto foi experimentado em São Miguel, pelos Serviços de Desenvolvimento Agrário, que começaram em 2006 a estudar, com sucesso, a aplicação de lamas resultantes da indústria de lacticínios na fertilização de milhos para silagem.
Assim, aquilo que seria o lixo das indústrias de lacticínios, pode ser em grande parte um adubo para a produção de milho. Fecha-se assim o ciclo: as vacas comem o resultado da silagem do milho, produzem leite, este é laborado nas indústrias, que produzem resíduos, que fertilizam o milho, que é usado em silagem para alimentar as vacas.
A utilização de lamas de depuração na agricultura foi enquadrada por legislação comunitária, nacional e regional. Nos Açores, devido à predominância da produção leiteira, as lamas provenientes da indústria de lacticínios assumem um papel muito importante nesse aproveitamento.
As indústrias de lacticínios geram águas residuais compostas essencialmente por restos de leite, água e produtos de limpeza das instalações. Alguns estudos realizados sobre esse tipo de lamas indicam que estas são ricas em macronutrientes - sobretudo azoto e fósforo - ao mesmo tempo que apresentam baixos teores de metais pesados, o grande problema, juntamente com os compostos orgânicos tóxicos e com os organismos patogénicos, quando se fala de aproveitar lamas de depuração.
Tendo em atenção que, em São Miguel, a utilização das lamas provenientes da indústria de lacticínios poderia ser uma mais-valia para os agricultores, o Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel avançou para um ensaio no seu campo de experimentação em Santana, para avaliar o comportamento dessas lamas na produção de milho para silagem.
Tendo em atenção o perigo que essas lamas poderiam comportar, teve-se em particular atenção os teores de metais pesados, quer no solo, quer os que seriam absorvidos pelas plantas. Os resultados foram positivos, não só porque já se esperava que as lamas provenientes da indústria de lacticínios tivessem de facto um teor baixo de metais pesados, mas também porque foram sempre introduzidas no solo pequenas quantidades dessas lamas para fertilização.
Os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel concluíram assim que a utilização das lamas provenientes da indústria de lacticínios é uma alternativa viável na fertilização da cultura do milho para silagem, embora chamando à atenção dos agricultores para respeitarem regras básicas de fertilização racional. Os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel estão agora a sensibilizar os agricultores para essa prática e, recentemente, realizou-se uma sessão de divulgação.
A produção de lamas resultantes do tratamento de águas residuais domésticas, agro-pecuárias e agro-industriais é cada vez maior hoje em dia. No entanto, esses resíduos têm características físico-químicas que permitem a sua aplicação na agricultura.
E podem até contribuir para melhorar algumas características dos solos que condicionam a sua fertilidade, aumentando a sua matéria orgânica e a disponibilidade de nutrientes vegetais.
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