Reservas de sangue podem não ser suficientes em grandes catástrofes

Executivo considera que os níveis atuais de reservas são adequados à atividade assistencial, mas podem não ser suficientes em cenários de grande catástrofe



Os três hospitais públicos da Região Autónoma dos Açores têm atualmente uma reserva habitual de sangue de 269 unidades. A informação consta na resposta do executivo regional ao requerimento da IL/Açores, intitulado “ Execução do estatuto do dador de sangue e evolução da dádiva de sangue na Região Autónoma dos Açores”, no sítio oficial da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA).

Segundo o documento, o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) regista 109 unidades de reserva habitual de sangue, enquanto o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) contabiliza 100 unidades e o Hospital da Horta (HH) 60 unidades.

O executivo regional considera que os níveis habitualmente existentes de reservas “são adequados à atividade assistencial corrente e às situações urgentes mais frequentes ou previsíveis”.

Contudo, questionado pela IL/Açores sobre se as reservas de sangue atualmente disponíveis são suficientes para responder a emergências ou excecionais, nomeadamente sismos, crises vulcânicas, fenómenos meteorológicos adversos ou interrupções prolongadas das ligações aéreas e marítimas, o executivo regional adianta que a sua suficiência não pode ser entendida de “forma absoluta” perante acontecimentos de grande magnitude.

Nesse cenário, a entidade governamental  regional entende que a resposta deve ser de atuação integrada, envolvendo, nomeadamente: a monitorização diária dos stocks;realização de sessões extraordinárias de colheita; reforço de circuito de transporte, quando possível; redistribuição entre hospitais; manutenção e atualização dos planos de contingência; contacto com dadores fidelizado; e racionalização do consumo e priorização clínica em cenário de contingência.

Melhoria das dádivas face à pandemia da Covid-19

Segundo os dados divulgados no documento, a Região registou mais de 4000 dádivas de sangues entre 2015 e 2018, no entanto o número começou a diminuir  a partir de 2019 até 2022. Já entre 2024 e 2025, a Região voltou a superar as 4000 dádivas de sangue. No final do primeiro semestre do presente ano, foram registados 2205 dádivas, tendo sido 901 do HDES, 873 do HSEIT e 431 do HH.

A 31 de dezembro de 2025, a Região registava 3679 dadores no Serviço Regional de Saúde.

O executivo regional assinala ainda que o HDES recorre regularmente, desde 2015, a componentes sanguíneos provenientes do território continental, para assegurar níveis adequados de reserva, responder a necessidades clínicas não programáveis e compensar limitações decorrentes da insularidade. 

Por sua vez,  entre 2015 e 2020, o HSEIT recorreu em diversas ocasiões, enquanto o HH recorreu no período compreendido entre 2015 e 2022. Atualmente, os dois hospitais apenas recorrem com pedidos pontuais.

Mais de 1100 diplomas

O Governo Regional dos Açores salienta que já foram distribuídos 1164 diplomas a dadores com 10 dádivas desde 2015. Relativamente às medalhas de reconhecimento, já foram atribuídas 641 cobreada, 169 prateada e, 40 dourada e uma platinada.



PUB