Quercus apela a redução de gases com efeitos de estufa


 

Lusa/AOonline   Internacional   23 de Set de 2007, 15:22

A Quercus apelou hoje aos países desenvolvidos para que se comprometam a reduzir a emissão global de gases com efeito de estufa entre 50 e 85 por cento até 2050 devido à "urgência da ameaça" das alterações climáticas.


O apelo da organização ambientalista Quercus e de outras organizações não governamentais da Rede Internacional de Acção Climática surge no âmbito do encontro de Chefes de Estado que se realiza hoje nas Nações Unidas sob o tema das alterações climáticas.

A Quercus afirma, em comunicado, que enviou o apelo, em particular, ao primeiro-ministro, José Sócrates, que está presente no encontro, também na qualidade de presidente em exercício da União Europeia.

"É extremamente importante que os Chefes de Estado vejam este encontro das Nações Unidas como uma oportunidade para enviar uma mensagem clara de apoio ao êxito das negociações sobre alterações climáticas que decorrem sob a alçada da ONU, e um esforço para o bom lançamento de um rápido acordo para um tecto de emissões pós-2012", salienta o comunicado.

Este encontro, lembra a organização ambientalista, realiza-se entre a reunião da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), decorrida no início deste mês, e o encontro promovido pela administração norte-americana, envolvendo os principais países emissores de gases de efeito de estufa a 27 e 28 de Setembro, em Washington, também sobre alterações climáticas.

Este último encontro, considera a Quercus, "tenta desviar o progresso na direcção do estabelecimento de uma meta obrigatória na redução de emissões, sugerindo acordos e medidas voluntárias que não vão conseguir o nível de redução de emissões necessário".

A Quercus sustenta que os últimos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), "deixaram claro que a urgência e o desafio do combate às alterações climáticas é maior do que se pensava e se receava".

Os impactes das alterações climáticas estão já a afectar muitos países, particularmente os mais pobres, que não têm capacidade de se adaptarem e são os menos responsáveis pela mitigação", acrescenta.

Acreditam, no entanto, que ainda é possível conter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, um nível limite no entender da organização, "mas que mesmo assim pode não prevenir os efeitos perigosos das alterações climáticas".

O último relatório do IPCC indica que o nível máximo de emissões tem de chegar aos valores de 1990 pelo menos em 2015 e descer 50 a 85 por cento com base em 1990, até 2050.

A Quercus defende que os países desenvolvidos devem comprometer-se com metas obrigatórias de redução de pelo menos 30 por cento abaixo dos níveis de 1990 para o ano de 2020.

Reitera ainda no comunicado que todos os países que não ratificaram ainda o Protocolo de Quioto, para o fazerem, e diz esperar que do encontro das Nações Unidas saia um "sinal político forte", e que 2007 "marque um ponto de viragem na luta contra as alterações climáticas".


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