A ANA - Aeroportos de Portugal preferia que as associações de bombeiros concorressem em consórcio para prestar o serviço de socorro contra incêndios nos aeroportos geridos pela empresa nos Açores, a partir de março de 2027.
Contudo, as três associações de bombeiros de Ponta Delgada, do Faial e de Santa Cruz das Flores não acolheram esta proposta. A notícia foi avançada pela RTP Antena 1 Açores, com base em informação fornecida à rádio pública pela empresa gestora dos aeroportos portugueses, detida pela multinacional francesa Vinci.
À RTP Antena 1 Açores, foi João Paulo Medeiros, presidente dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, quem deu a resposta mais concreta à proposta apresentada verbalmente pela ANA, considerando um consórcio entre associações inviável para a realidade dos Açores.
“A associação de Ponta Delgada não se poderia responsabilizar, por exemplo, pelo aeroporto das Flores, porque se houver um bombeiro ou dois que no dia seguinte não possa ir trabalhar, nós aqui não podemos apanhar o Metro para ir substituir esses bombeiros”, alerta João Paulo Medeiros à RTP Antena 1 Açores.
Para o presidente dos Bombeiros Voluntários de Ponta
Delgada, a ANA demonstrou com esta proposta não compreender a realidade
insular dos Açores, afirmando que perante a situação concreta das
associações nos Açores, “era impossível de cumprir com o caderno de
encargos” proposto na consulta pública pela entidade gestora dos
aeroportos.
Por seu lado e em declarações à RTP Antena 1 Açores, o
presidente dos Bombeiros Voluntários do Faial, que também preside à
Federação dos Bombeiros dos Açores, José Braia Ferreira, recordou ter
analisado esta proposta da ANA, mas entendeu que este foi “mais um ponto
negativo”.
Já Carlos Silva, presidente dos Bombeiros Voluntários de Santa Cruz das Flores afirmou mesmo à RTP Antena 1 Açores que “isso nunca foi falado entre nós”, ao mesmo tempo que considerou que esta proposta “não fazia nenhum sentido”.
Recorde-se que as associações de bombeiros de Ponta Delgada, Faial e Santa Cruz das Flores vão deixar de prestar serviço de socorro contra incêndios nos aeroportos de Ponta Delgada, Faial e Flores, a partir de março de 2027, porque nenhuma delas apresentou proposta à consulta pública lançada pela ANA.
Abre-se assim o caminho a que o serviço seja prestado por empresas privadas certificadas, tal como já acontece no continente português ou na Madeira.
Nos quatro aeroportos açorianos geridos pela ANA/Vinci,
apenas em Santa Maria os bombeiros voluntários apresentaram uma
proposta, devendo até final de setembro saber se foram ou não escolhidos
para continuar a prestar o serviço.
