Programa 'Raparigas nas STEM' com "grande adesão" nos primeiros seis meses

O Programa Nacional 'Raparigas nas áreas STEM' teve “grande adesão” nos primeiros seis meses, com 125 candidaturas para formação ou a criação de uma rede de 34 embaixadoras, divulgou a ministra da Cultura, Juventude e Desporto



De acordo com Margarida Balseiro Lopes, que esteve hoje a apresentar os resultados preliminares, o programa - de promoção da participação de raparigas nas áreas profissionais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática -, que foi lançado em outubro de 2025, tem tido uma “forte mobilização” de instituições públicas, privadas e da sociedade civil.

Segundo a ministra, foram já lançados quatro avisos no âmbito da formação para desconstrução de estereótipos, que recolheram 125 candidaturas, das quais 32 obtiveram aprovação provisória, representando um investimento de cerca de dois milhões de euros.

Margarida Balseiro Lopes apontou que o objetivo destas ações de formação é “desconstruir estereótipos e conseguir apostar na sensibilização de entidades públicas e privadas”, nomeadamente em áreas como a educação, comunicação social, justiça, segurança ou intervenção social.

“Consideramos que são áreas críticas para investirmos na desconstrução de estereótipos. O nosso objetivo é que até 2030 tenhamos abrangido quase 21 mil pessoas nestas ações de formação”, adiantou.

Destacou igualmente a criação de redes de promoção de raparigas e mulheres nas STEM [acrónimo em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática], os programas de liderança para mulheres no mercado de trabalho, cujos concursos serão lançados até final de junho, e o prémio Raparigas nas STEM, para destacar percursos de excelência de alunas no ensino superior.

No total, a primeira fase do programa prevê um financiamento superior a 20 milhões de euros, centrado na educação, ensino superior e em iniciativas de mentoria, capacitação e criação de redes.

Entre os resultados alcançados, destacou a constituição de uma rede de 34 mulheres embaixadoras nas áreas STEM, com o objetivo de inspirar e incentivar mais raparigas a seguir estas áreas.

Foi igualmente lançada uma plataforma digital associada ao “emblema Raparigas na STEM”, com o objetivo de levar entidades várias a candidatarem-se a um selo de reconhecimento pelas suas iniciativas, procurando dar visibilidade a projetos já existentes e promover novas ações.

No eixo de promoção territorial, o programa abriu um aviso com dotação de 8,8 milhões de euros para apoiar redes locais, tendo recebido candidaturas que totalizam cerca de 27 milhões de euros, o que, segundo a ministra, demonstra “grande interesse e adesão”.

Margarida Balseiro Lopes apontou, no entanto, que os primeiros seis meses de execução também evidenciam desafios, nomeadamente ao nível da recolha de dados, definição de indicadores de monitorização e articulação institucional, áreas que o Governo pretende reforçar na próxima fase.

Paralelamente, foram introduzidos incentivos financeiros através do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), com a majoração de bolsas para raparigas e mulheres em cursos STEM, incluindo o aumento da bolsa de profissionalização em cursos de aprendizagem.

Segundo a ministra, nos cursos de aprendizagem a bolsa de profissionalização passou de 10% para 60% o valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), enquanto nos cursos de aprendizagem+ a bolsa aumentou de 50% para 100%, “à semelhança do que acontecia nas restantes modalidades em áreas de formação STEM”.

O programa tem como meta aumentar a participação feminina nestas áreas, onde as mulheres representam atualmente cerca de um terço dos profissionais em STEM e apenas uma em cada quatro especialistas em tecnologias de informação e comunicação.

O objetivo do Governo é atingir 30% de participação feminina até 2030, reforçando a presença em áreas como inteligência artificial, ciência de dados e cibersegurança.

A ministra sublinhou que o programa “não é apenas do Governo”, apelando ao envolvimento de universidades, autarquias, empresas e organizações da sociedade civil para garantir o sucesso da iniciativa.


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