Presidente turco compromete-se a "fortalecer" cooperação com líder do exército do Sudão

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comprometeu-se a "fortalecer" a cooperação entre a Turquia e o Sudão, após receber em Ancara o chefe do Exército sudanês e presidente do Conselho Soberano de Transição, Abdel Fattah al-Burhan



"A cooperação entre a Turquia e o Sudão será reforçada em muitas áreas, desde o comércio e a agricultura até às indústrias de defesa e mineração", afirmou a Presidência turca num comunicado divulgado pela agência noticiosa estatal Anadolu, após a reunião dos dois líderes.

O Presidente turco lamentou que o atual conflito no país africano esteja "a levar a uma das maiores crises humanitárias do mundo", acusando os atos que constituem "crimes contra a humanidade, especialmente em El Fasher", a capital histórica da região de Darfur, onde entre 70.000 e 100.000 civis estão presos desde outubro, depois da conquista da cidade pelas Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), lideradas pelo ex-número dois do regime militar de al-Burhan, general Mohamed Hamdan Dagalo.

"É necessário tomar medidas sérias e decisivas para prevenir" estes crimes, sublinhou Erdogan.

O chefe de Estado turco manifestou o apoio a uma trégua no país africano, afirmando que "a Turquia deseja preservar a paz, a estabilidade e a integridade territorial no Sudão, e que o objetivo é estabelecer uma paz duradoura através de um cessar-fogo".

"A Turquia continuará a satisfazer as necessidades do povo sudanês (...) através da ajuda humanitária", acrescentou.

O Conselho Soberano do Sudão confirmou a reunião através de um comunicado em que salientou que o seu líder, que tomou o controlo do país através de um golpe militar em 25 de outubro de 2021, foi convidado pelo Presidente turco.

Ambos os líderes, refere a nota, abordaram "o desenvolvimento das relações bilaterais e o impulso das perspetivas de cooperação" entre Ancara e Cartum.

Após o encontro, foi realizado um jantar de trabalho no qual também participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e da Agricultura — Hakan Fidan, Yasar Guler e Ibrahim Yumakli, respetivamente —, bem como o chefe dos Serviços Secretos turcos, Ibrahim Kalin, e outros conselheiros da Presidência turca.

A Turquia tem estado ao lado das Forças Armadas sudanesas, que apoiou com o envio de drones e equipamento militar diverso, à medida que foi avançando a guerra eclodida em abril de 2023, devido a divergências em torno do processo de integração das RSF no seio do exército.

A situação provocou o descarrilamento do processo de transição, iniciado em 2019, com um primeiro derrube do regime de Omar Hassan al-Bashir, e depois enfraquecido com o golpe militar conduzido por al-Buhran, que derrubou em 2021 o governo do então primeiro-ministro, Abdallah Hamdok.

O conflito, marcado pela intervenção de vários países em apoio a ambas as partes em guerra, mergulhou o país numa das maiores crises humanitárias a nível mundial, com milhões de deslocados e refugiados.


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