Presidente de clube português defende necessidade de mais imigração nos EUA

Presidente de clube português defende necessidade de mais imigração nos EUA

 

Lusa/Ao online   Nacional   16 de Dez de 2018, 22:00

O presidente do Clube Português de Hudson apontou a necessidade de mais imigração nos Estados Unidos (EUA), num tempo em que a “xenofobia da administração atual está a contrariar a economia” e as necessidades económicas do país.

António Dias Chaves, presidente da assembleia geral do Clube Português de Hudson, em Massachusetts, – clube que celebra o seu centenário em 2019 – afirmou, em entrevista à Lusa, que os EUA não têm recebido tantos imigrantes como outros países e que precisam de mais imigração para garantir a sustentabilidade económica.

“Especialmente na agricultura, temos uma necessidade de imigração bastante grande”, disse o português imigrado nos EUA há 50 anos e que, já reformado, realiza serviços de aconselhamento de imigração, notariado e tradução.

“A necessidade de imigração é constante na América e a única maneira de nós sobrevivermos e de contribuirmos para a elevação da economia é com imigração”, defendeu António Dias Chaves, nascido nos Açores.

O antigo funcionário de vários departamentos estaduais de Massachusetts defendeu que a falta de imigrantes irá provocar “um grande impacto” negativo a curto-médio prazo e que os efeitos irão levar a uma recessão da economia norte-americana, efeitos que estão a ser agravados pela “xenofobia da administração atual, que está a contrariar a economia”.

O presidente do Clube Português destacou também que, para cada crise, há um grupo de vítimas, que geralmente são os imigrantes.

Em Massachusetts, um estado na costa leste dos EUA com 6,9 milhões de habitantes, os imigrantes portugueses também já foram as vítimas principais, olhadas com xenofobia e responsabilização por parte dos nacionais norte-americanos, peso que já passou pelos italianos e irlandeses e que agora está nos ombros dos brasileiros e hispanos, disse o dirigente.

“Como todas as etnias, fomos parte discriminada”, contou o representante da comunidade portuguesa em Hudson. “Só porque sobrevivemos com as nossas raízes”, acrescentou.

Hoje, a comunidade portuguesa é forte, enquanto outras nacionalidades estrangeiras deixaram de estar tão representadas, afirmou o português.

“Os irlandeses não têm o seu clube irlandês, os italianos… o Bonna Via Club já não existe. Mas o Clube Português de Hudson, que para o ano faz cem anos, ainda existe e continuará, esperamos, a existir por muito tempo”, disse o açoriano.

Uma das explicações para o facto de a comunidade portuguesa estar mais unida do que outras comunidades estrangeiras em Hudson poderá ser uma história de imigração mais recente, forte na década de 60 até à Revolução de Abril.

António Dias Chaves chegou aos Estados Unidos em 1967, no seio de uma família numerosa que acabara de sair dos Açores com oito filhos.

“Singrámos, constituímos vida aqui, temos filhos, alguns têm netos”, relatou o açoriano e acrescentou, com a mão ao peito, que os portugueses vivem em condições de igualdade com os demais habitantes de Hudson, mas têm mais ligação com as suas raízes.

É “o ciclo imigratório que faz este país tão grande”, afirmou António Dias Chaves, antigo funcionário do Gabinete de Refugiados e Imigrantes do Estado de Massachusetts na década de 1980, depois de ter servido o exército norte-americano durante dois anos na Alemanha, na altura da Guerra do Vietname, que durou de 1954 a 1975.

Ainda a nível estadual, o português foi também diretor de maternidade e serviços infantis do Departamento de Saúde Pública e diretor de justiça ambiental no Gabinete do Ambiente.

Já depois da reforma, foi recrutador no Departamento de Segurança Interna do governo federal dos EUA.

Agora “quase completamente reformado”, como explicou, o antigo funcionário público continua a prestar ajuda aos imigrantes no seu escritório privado, onde presta também serviços de tradução e notariado.

António Dias Chaves é presidente do Clube Português de Hudson há duas décadas e não escondeu o seu entusiasmo pelo centenário que será comemorado no próximo ano com uma série de atividades, sendo uma delas a gala de aniversário, no dia 04 de maio.

O Clube Português é um local de encontro e “o centro de todas as atividades comunitárias em Hudson”, pondo ao dispor um edifício espaçoso de dois andares para a realização de eventos e festas de várias associações e sociedades lusófonas de Massachusetts.

A estrutura é de grandes dimensões e muito dispendiosa, o que traz “muita dificuldade” para a sua manutenção, mas vive de voluntariado, contribuições e ajuda de beneméritos, esclareceu o presidente do clube.

Para o evento de dia 04 de maio, na comemoração dos 100 anos, o clube já enviou convites ao Presidente da República Portuguesa, ao embaixador português em Washington, governador de Massachusetts, secretário de Estado das Comunidades, presidentes dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira e outras entidades dos dois países, disse o dirigente.



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