Possível encerramento da Escola dos Foros continua num impasse

A pouco mais de duas semanas para o início das aulas, não existe ainda uma decisão sobre o futuro da escola do primeiro ciclo e pré-escolar. Pais e encarregados de educação afirmam ter o direito de saber em que ponto se encontra o processo



O possível encerramento da Escola Básica e Jardim de Infância dos Foros,  no concelho da Ribeira Grande, freguesia da Conceição, continua a não ter um desfecho. Com o início do ano letivo a bater à porta, os pais e encarregados de educação afirmam “continuar à espera de resposta”. E a Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto indica que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre o caso.

Através comunicado, os pais e encarregados de educação salientam que “o silêncio também tem consequências”, uma vez que este impasse acaba por impedir que as “famílias se organizem”, prolongando assim a incerteza e transmitindo a sensação de que “o impacto destas decisões na vida quotidiana das pessoas é secundário”.

“Os pais não exigem que todas as decisões correspondam àquilo que desejam. Exigem algo muito mais básico: serem informados atempadamente sobre decisões que condicionam diretamente a educação dos seus filhos e a organização das suas famílias”, prossegue o comunicado.

A demora na comunicação de uma decisão final acaba por estar a condicionar os agregados familiares, visto haver casos de pais com mais de um filho, sendo necessário haver uma preparação prévia a nível de “transportes, refeições, ATL e outras atividades que dependem da escola que cada criança irá frequentar”. Para além destes casos, existem famílias que “precisam simplesmente de saber onde vão estar os seus filhos e em que condições”.

Os encarregados de educação referem ainda que “não é razoável alarmar uma comunidade no final do ano letivo, apresentar a possibilidade de uma alteração desta dimensão e depois deixá-la atravessar todo o verão sem uma decisão ou, pelo menos, sem informação sobre o estado do processo e sobre quando poderá esperar uma resposta”.

“Uma alteração desta dimensão não deveria ser apresentada às famílias no final de um ano letivo para produzir efeitos no seguinte. Deveria ser comunicada e discutida com a antecedência necessária, idealmente com um ano de preparação, permitindo à comunidade participar verdadeiramente no processo e às famílias reorganizar as suas vidas e preparar as crianças para uma eventual mudança”, refere ainda o comunicado.

“Não teria sido mais responsável iniciar esta discussão com um ano de antecedência?”, finalizam os encarregados de educação.

Até à data, as informações disponíveis apontam para a não abertura do pré-escolar e do 1º ano devido ao número insuficiente de alunos.

Um assunto com vários capítulos

Este tema tem vindo a arrastar-se ao longo do tempo. Já durante o verão, de modo a tentar impedir o fecho da Escola dos Foros, foi realizado um abaixo-assinado que reuniu mais de 200 assinaturas de encarregados de educação, familiares, membros da sociedade e residentes da freguesia da Conceição. Após a entrega do referido documento, não foi obtida nenhuma resposta por parte da Direção Regional da Educação.

Para além dos encarregados de educação, a Junta de Freguesia da Conceição também já se  pronunciou contra o encerramento do estabelecimento de ensino. A autarquia defende que a Escola dos Foros assume um papel importante na comunidade, não devendo ser avaliada apenas pelo número de alunos que tem, considerando também que  continua a reunir as condições necessárias para manter as suas turmas em funcionamento e garantir um ensino de proximidade.

Já a Câmara Municipal da Ribeira Grande afirma não ter “competência nem legitimidade” para decidir sobre o futuro da escola, mostrando-se disponível para procurar soluções para a utilização do espaço, caso o fecho da primária dos Foros se concretize.

A Escola dos Foros foi construída nos anos 60, no âmbito do projeto do Plano dos Centenários, tendo sido alvo de uma remodelação no ano letivo 1998/99.


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