Saúde

Portugueses desconhecem o que são cuidados paliativos

Portugueses desconhecem o que são cuidados paliativos

 

Lusa/AOonline   Nacional   10 de Out de 2008, 16:10

Quase metade dos portugueses (47 por cento) afirma desconhecer o que são cuidados paliativos, para minimizar os efeitos de doenças prolongadas e incuráveis, e os que dizem saber referem-se a conceitos errados, revela um estudo.
"É preocupante este nível de desinformação, ainda mais tratando-se de um direito humano e de cuidados de saúde que visam intervir e prevenir o sofrimento. Ninguém pode reclamar um direito se não sabe que ele existe", disse à Lusa Isabel Neto, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP).

    Segundo o estudo, dos 38 por cento que afirmam saber (15 por cento revelaram ter "uma ideia"), a grande maioria referiu-se a conceitos que não correspondem à verdade, como "pessoas internadas em cuidados intensivos", "cuidados a idosos" ou "cuidados a pessoas acamadas".

    "É indigno ainda hoje as pessoas terem sofrimento no final das suas vidas e relembro que este final pode corresponder a um período de semanas, meses ou anos. Ao contrário do que muitos portugueses pensam, os cuidados paliativos servem para muito mais do que os últimos dias de vida", acrescentou a responsável.

    Os cuidados paliativos definem-se como uma resposta activa aos problemas decorrentes da doença prolongada, incurável e progressiva, na tentativa de prevenir o sofrimento que ela gera e de proporcionar a máxima qualidade de vida possível a estes doentes e às suas famílias.

    Mais de metade dos inquiridos (52 por cento) pensa que existem cuidados paliativos em um ou dois hospitais públicos e 61 por cento acha que deveriam existir cuidados paliativos em todos os hospitais públicos.

    Isabel Neto sublinha que a "desinformação continua", já que existem 15 unidades credenciadas e treinadas. No entanto, reconhece que esse número é "escasso", já que cobre apenas cerca de 10 por cento das necessidades de cuidados paliativos.

    Quando confrontados com exemplos práticos de pessoas com necessidades paliativas, em média, 60 a 65 por cento dos entrevistados consideram que esses casos justificariam cuidados paliativos por parte do Estado. No entanto, ainda há cerca de dez por cento de pessoas que afirmam que "já não há nada a fazer".

    "Isto é grave, na medida em que reproduz uma crença de que a medicina só serve para curar. Não é assim. Quando não há nada a fazer para curar, há imensas intervenções técnicas para proporcionar conforto, qualidade de vida e dignidade", afirmou a presidente da APCP, sublinhando que os cuidados paliativos "são hoje uma especialidade médica, com cuidados técnicos especializados e diferenciados de alto investimento".

    Mais de metade dos inquiridos acha que faria sentido investir em cuidados paliativos em todos os locais: hospitais, instituições próprias para o efeito e domicílio). Por outro lado, 31 por cento considera igualmente insuficientes os meios de apoio ao nível dos cuidados prestados aos doentes em fase terminal.

    Vinte e um por cento dos portugueses acha que o local onde faria mais sentido investir em cuidados paliativos seria no domicílio. Aquela percentagem aumenta consideravelmente entre os inquiridos que têm ou tiveram proximidade com pessoas com necessidades paliativas.

    Segundo Isabel Neto, que é também directora da unidade de cuidados paliativos do Hospital da Luz, em Lisboa, a ideia de promover este estudo surgiu da necessidade de alertar a sociedade para a desinformação entre os portugueses sobre o que são cuidados paliativos.

    "É uma questão de cidadania e responsabilidade cívica", acrescentou.

    O estudo foi realizado através de 606 entrevista telefónicas a pessoas com mais de 18 anos residentes em Portugal Continental. O processo de amostragem utilizado foi por quotas segundo sexo, idade e região do entrevistado definidas com base no perfil da População.

    O Dia Mundial dos Cuidados Paliativos assinala-se sábado.

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