Portugueses de Nova Iorque confiantes em que Obama resolverá a crise


 

Lusa/AO   Internacional   6 de Nov de 2008, 07:12

A comunidade portuguesa residente no Estado de Nova Iorque espera também uma mudança no rumo do país com a eleição do novo presidente, o democrata Barack Obama.
Vários emigrantes portugueses que habitualmente se reunem no restaurante “Lusíadas”, na cidade de Mount Vernon, Condado do Westchester, disseram à agência Lusa que o resultado da votação “não foi propriamente uma surpresa”, dadas as sondagens favoráveis a Obama.

    Mesmo assim, alguns ainda não acreditavam que fosse possível eleger um presidente negro em tão pouco tempo, num país tão conservador.

    Agora esperam que o novo presidente comece a trabalhar de imediato de modo a resolver a grave crise económica que afecta os Estados Unidos.

    “O que importa é que ele consiga pôr o país de novo no caminho certo para garantir trabalho para todos”, diz José Marinheiro, emigrante nos Estados Unidos há cerca de seis anos.

    A maioria dos emigrantes portugueses residentes nesta área trabalha na construção civil e começa já a sentir os efeitos da crise com trabalhos parados e muitos “layoffs”.

    José Soeiro, em emigrante natural de Serpa disse à Lusa que, quando a sua companhia terminar o actual trabalho, manda todos para casa, pois não há mais nada para fazer.

    “Há trabalhos mas as companhias não têm dinheiro nem crédito para os fazer e, por isso, está tudo na expectativa para ver o que dá com o novo presidente”, disse ele.

    Embora a tendência de voto entre a comunidade portuguesa se divida entre republicanos e democratas, hoje parece que todos olham para o presidente eleito com a confiança de que seja ele a resolver os problemas que a actual administração norte-americana não conseguiu.

    “É preciso acabar com a Guerra do Iraque que foi uma das principais razões que nos levou à situação em que estamos”, diz Fernando Rosa, natural de Aveiro.

    “Com Obama, acho que isso vai ser possível em pouco tempo”, acrescenta.

    Outros notam que é preciso uma nova lei de emigração que permita resolver a situação dos milhões de ilegais que vivem no país e que, neste momento, não pagam impostos nem podem adquirir carro ou casa.

    “Se os ilegais fossem legalizados ou lhes permitissem tirar a carta de condução, as vendas de carros aumentavam, bem como as casas, e os ordenados seriam mais equilibrados”, diz Paulo Soares acrescentando acreditar que Obama vai finalmente fazer aprovar uma lei da emigração que sirva a todos.

    Democratas ou republicanos, os emigrantes portugueses parecem ter posto para trás as diferenças partidárias, à boa maneira americana, e estão agora de alma e coração com o novo presidente eleito, de quem esperam que traga à América muitos trabalhos e o prestígio internacional perdido.

    “Nunca uma eleição foi tão concorrida, o que é bom sinal, pois as pessoas agora estão mais confiantes e de certeza as coisas vão melhorar e nós vamos ter mais trabalho”, diz Jorge Martins.

    “Acho que agora o mundo nos vê de uma maneira diferente”, afirma por seu lado Manuel Santos, emigrante natural de Chaves.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.