Portugal vai enviar missão ministerial e empresarial à Venezuela


 

Lusa/Ao online   Nacional   21 de Nov de 2007, 07:32

Portugal vai enviar, assim que for possível, uma missão ministerial e empresarial à Venezuela, para definir as "vastas" áreas de cooperação que se abriram com a estada do Presidente venezuelano a Lisboa.
A informação foi avançada aos jornalistas pelo próprio Hugo Chávez, momentos antes de abandonar Lisboa, rumo a Havana, onde terminará um périplo a quatro países antes de regressar a Caracas.

    Hugo Chávez referia-se ao encontro, seguido de jantar, que manteve com o primeiro-ministro português, José Sócrates, que decorreu na terça-feira no Palácio de São Bento, em Lisboa.

    "Foi um encontro extraordinário e maravilhoso. Falámos de muitos temas, de intercâmbio entre Portugal e a Venezuela, sobretudo dos mecanismos de cooperação bilateral", sublinhou, ao falar aos jornalistas no aeroporto militar de Figo Maduro, depois de sair da viatura oficial que o levaria, depois, ao avião.

    "Solicitámos apoio ao primeiro-ministro, a Portugal, na área da alimentação, sobretudo no envio de alimentos, transferência tecnológica para a produção de alimentos, para o desenvolvimento técnico e científico da nossa agricultura", afirmou.

    Chávez destacou que a conversa permitiu também abordar uma "questão muito importante": o das energias alternativas.

    "O petróleo algum dia vai acabar. Portugal tem um longo caminho já percorrido e é um bom exemplo. Tem uma alta percentagem de consumo de energia que vem das energias eólica, solar, marítima, das fontes alternativas. Começou-se um trabalho firme nesse sentido", referiu.

    "Assim que for possível, o ministro da Economia português vai visitar a Venezuela com um grupo de empresários", acrescentou.

    Chávez disse ter "explicado" a Sócrates a evolução da economia venezuelana, "que está a crescer a um ritmo de 11,5/12 por cento anualmente, nos últimos três anos" e que o consumo também tem aumentado.

    "Lembrei que o país precisa do investimento de empresas portuguesas sérias que contribuam para o desenvolvimento dos caminhos-de-ferro, auto-estradas, novas cidades, habitação, novos projectos agrícolas, sistemas de rega, enfim, um mundo de coisas", sustentou.

    "Creio que hoje se abriu um grande número de expectativas na cooperação entre os dois países", frisou Chávez.

    O Presidente venezuelano lembrou, por outro lado, a assinatura do acordo entre a Galp e a PdVSA, o que permitirá à Venezuela começar a ser uma "fonte segura" do fornecimento petrolífero e energético a Portugal.

    Questionado pelos jornalistas sobre que garantias poderá dar à segurança da comunidade portuguesa residente na Venezuela, Chávez assegurou que o seu governo vai continuar a apoiá-la.

    "Há uma grande comunidade. Creio que não há uma localidade na Venezuela onde não haja portugueses. Afortunadamente, ganharam o carinho do povo venezuelano. É uma comunidade que se caracteriza por ser amigável, alegre, trabalhadora. Sempre tiveram o afecto do nosso governo, o apoio do nosso governo e assim continuará", garantiu.

    Instado também sobre o seu relacionamento com o ex-Presidente português Mário Soares, que o foi receber ao aeroporto e participou também no jantar, Chávez considerou-o "um grande amigo", sublinhando sentir-se "honrado" pela amizade do antigo chefe de Estado luso.

    «É meu grande amigo e tenho muita honra em contar com esse amigo. Conversámos amigavelmente. Vai começar um programa de televisão e pediu-me uma entrevista. Mas não houve tempo (em Lisboa). Propus-lhe que fosse a Caracas para fazer essa entrevista.»

    Hugo Chavez esteve em Lisboa numa escala técnica de cerca de quatro horas, terminando o seu périplo pela Arábia Saudita, onde participou na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), pelo Irão, onde assinou vários acordos de cooperação industrial e energética, e a França, onde se reuniu com o seu homólogo francês, Nicolas Sarkozy.

    Em Havana, onde irá encontrar-se com Fidel Castro - "estou cansado mas vou dormir no avião para estar fresco para o encontrar, pois ele fala, fala, fala, fala" -, o Presidente venezuelano terá também reuniões de trabalho com as mais altas personalidades do regime cubano.
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