Plataforma informática concebida para idosos combate solidão


 

Francisco Fontes - Lusa / AO online   Nacional   23 de Nov de 2007, 10:36

Um grupo de investigadores de Coimbra está a desenvolver uma plataforma informática e de comunicações para facilitar o acompanhamento e prestação de cuidados aos idosos e esbater a solidão daqueles que vivem sós.
O projecto, em desenvolvimento no Laboratório de Automática e Sistemas do Instituto Pedro Nunes (IPN), de Coimbra, procura criar um sistema que auxilie a uma vida normal e garanta alguma autonomia e qualidade de vida a cidadãos na terceira idade, em número em crescimento devido ao aumento da esperança de vida e envelhecimento da população.

O projecto, que foi candidatado a fundos comunitários em Outubro para se desenvolver ao longo de dois anos, está concebido em duas vertentes: de monitorização e assistência ao idoso e uma outra, que os seus promotores consideram "muito inovadora", de integração social, para esbater o isolamento e a solidão.

"O primeiro vector tem a ver com a família e alguma assistência especializada. Através dele consegue-se monitorizar o estado do idoso" segundo parâmetros fornecidos a partir do local onde este se encontre, como são a temperatura, a pulsação e a localização", revelou à agência Lusa António Cunha, director executivo do Laboratório de Automática e Sistemas do IPN.

Através de sensores instalados em vários pontos da casa, e de um sistema de comunicação colocado junto ao seu corpo - que poderá ter a forma de relógio, com a dupla função -, os dados recolhidos são transmitidos para uma página individualizada de um portal, a partir do qual a instituição de apoio e a família poderão monitorizar o seu estado pela Internet, através de um PDA ou um computador, ou mesmo recebendo alertas por SMS.

"A pessoa, à medida que vai envelhecendo, vai perdendo as suas capacidades. A família ou instituições de apoio domiciliário, que cuidam dela, precisam de dados para saber se está bem; se caiu, se saiu de casa a hora não habitual, ou se os seus dados de temperatura e pulsação são normais", observou.

Recorrendo a uma rede de comunicação sem fios, os sensores poderão estabelecer contacto entre si e com o dispositivo que o idoso transporta que, por sua vez, transmite os dados ao portal e poderá lembrar-lhe as horas da medicação.

A segunda componente do projecto visa a integração social do idoso, aproveitando o mesmo equipamento e outros que já fazem parte do quotidiano de qualquer lar, como é o aparelho de televisão.

A televisão que o idoso tem em casa, e que é comummente utilizada como distracção para quem vive em isolamento, poderá ser o dispositivo para a comunicação áudio e vídeo com amigos e familiares.

Através de um portal na Internet, acessível através de um telecomando simplificado, "com meia dúzia de funções", com similitudes ao que se habituou a usar para ver televisão ou vídeo, o idoso poderá realizar videochamadas com familiares e amigos e fazer chegar a sua própria imagem a partir de uma câmara web.

"Esse portal será desenhado para o idoso. A ideia não é aparecer uma página como as que normalmente se encontram na Internet, mas funcionar como um interface focado na acessibilidade do idoso", explicou António Cunha.

Na videochamada com familiares e amigos o dispositivo utilizaria a televisão e uma câmara web, com as ferramentas gratuitas de comunicação pela Internet, como o Skype e o MSN.

Como parceiros deste projecto, o Laboratório de Automática e Sistemas agregou a "ISA", uma empresa de Coimbra especializada no desenvolvimento de sistemas de monitorização remota, e A Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP) de Miranda do Corvo, instituição de solidariedade social que se dedica ao apoio a idosos.

Jorge Dias, director do laboratório, disse à agência Lusa que a criação de dispositivos de mobilidade e de apoio à terceira idade se enquadra numa nova estratégia. O IPN, onde se insere o laboratório, é uma instituição criada pela Universidade de Coimbra e empresas para a transferência de saber e tecnologias.

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