Papa diz que Igreja não mudará posição sobre o aborto

Papa diz que Igreja não mudará posição sobre o aborto

 

Lusa/AO online   Internacional   26 de Nov de 2013, 11:38

O papa Francisco afirmou que "não se deve esperar que a Igreja Católica mude a sua posição" sobre o aborto, adiantando que esta questão "não está sujeita a supostas reformas ou modernizações".

"Não é progressista pretender resolver os problemas eliminando uma vida humana", afirma o pontífice na exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho em português), a primeira do papa Francisco após os trabalhos do Sínodo dos Bispos em outubro de 2012, dedicado à "Nova Evangelização para a Transmissão da Fé".

O papa reconhece, no entanto, que pouco tem sido feito para "acompanhar as mulheres que se encontram em situações muito duras, onde o aborto se apresenta como uma rápida solução para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce dentro delas surgiu como fruto de uma violação ou num contexto de extrema pobreza".

"Quem pode deixar de compreender essas situações de tanta dor?", pergunta.

"A Igreja quer cuidar com predileção das crianças por nascer, que são as mais indefesas e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a sua dignidade humana para fazer com elas o que se queira, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir", diz o papa.

Para o papa, esta defesa da vida por nascer "está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano" e "supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento".

No documento, o papa defende também "uma presença mais incisiva" das mulheres na Igreja Católica, mas fecha a porta a qualquer possibilidade destas acederem ao sacerdócio.

"Porque o génio feminino é necessário em todas as expressões da vida social, é preciso garantir a presença das mulheres também no âmbito laboral e nos diversos lugares onde se tomam decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais", acrescentou o pontífice argentino.

Para o papa, "as reivindicações legítimas" dos direitos das mulheres sobre a sua igualdade com os homens colocam à Igreja “profundas interrogações que a desafiam e que não se podem iludir".

Mas, para Francisco Bergoglio o que não pode mudar é a premissa de que "o sacerdócio está reservado aos homens, como um sinal de Cristo esposo que se entrega na Eucaristia", uma questão "que não se discute".

Na sua exortação, o papa aborda ainda a família e arremete contra "o individualismo pós-moderno e globalizado que favorece um estilo de vida que desnaturaliza os vínculos familiares".

No documento, Francisco dedica ainda espaço aos jovens, pedindo que sejam ouvidos e lhes seja dado maior protagonismo.


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