Açoriano Oriental
Ordens profissionais avaliam cuidados intensivos do Hospital da ilha Terceira
As ordens dos enfermeiros e dos médicos estão a averiguar as queixas feitas no início do ano sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos do Hospital da Ilha Terceira.
Ordens profissionais avaliam cuidados intensivos do Hospital da ilha Terceira

Autor: Lusa/AO Online

Os representantes regionais das duas ordens foram convocados para audições na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores, no âmbito de um requerimento do CDS-PP sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.

O representante da Ordem dos Médicos explicou por escrito os motivos que o levaram a não comparecer, hoje, na comissão e o representante da Ordem dos Enfermeiros foi ouvido, em Angra do Heroísmo, mas acrescentou pouco de novo.

Em causa está um abaixo-assinado dos enfermeiros da unidade de cuidados intensivos entregue, em fevereiro, à administração do hospital, e divulgado pela comunicação social local no início de outubro, em que é denunciada "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras queixas.

Na comunicação, enviada ao presidente da comissão dois dias antes da audição, o representante da Ordem dos Médicos nos Açores, Jorge Santos, justificou a sua recusa com o facto de o processo estar a ser avaliado pelo conselho disciplinar e pelo colégio da especialidade da secção regional do sul da Ordem dos Médicos, acrescentando que uma delegação da ordem viria à Região em janeiro.

Por sua vez, o representante regional da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, aceitou ser ouvido pelos deputados, mas sempre que as questões foram específicas sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos respondeu de forma semelhante, alegando que está a decorrer um processo interno no conselho jurisdicional regional da ordem.

Esse processo é feito, segundo Tiago Lopes, com base no relatório do inquérito interno realizado no hospital, a pedido da secretaria regional da Saúde, e com base numa visita que a Ordem dos Enfermeiros realizou à unidade de cuidados intensivos a 14 de outubro deste ano.

Em declarações aos jornalistas, o representante da Ordem dos Enfermeiros explicou que não podia revelar detalhes sobre a visita de acompanhamento à unidade de cuidados intensivos por "dever de sigilo".

Tiago Lopes não adiantou uma data para a conclusão do processo realizado pela Ordem dos Enfermeiros, alegando que será necessário ouvir "todas as partes" e que as diligências terão de ser feitas "de forma concertada", porque decorre em simultâneo um processo no Ministério Público.

Na audição, o representante da Ordem dos Enfermeiros disse que solicitou, em fevereiro e em abril, uma visita à unidade de saúde, para acompanhar o funcionamento do bloco operatório, e que na primeira vez o pedido foi adiado e na segunda não obteve resposta.

O deputado do CDS-PP questionou ainda o representante da Ordem dos Enfermeiros sobre um alegado processo disciplinar instaurado pela administração do hospital à enfermeira chefe da unidade de cuidados intensivos, mas Tiago Lopes disse desconhecer esse procedimento.

Decorreu também hoje, em Angra do Heroísmo, na Comissão de Assuntos Sociais, a audição prévia da presidente indigitada do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira, Paula Moniz.

Esta foi a primeira vez que alguém indicado para uma empresa com mais de 50% de participação do Governo Regional foi ouvido previamente à sua nomeação, no âmbito de uma legislação nova aprovada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Os deputados do PS, PSD e CDS questionaram a presidente indigitada sobre os problemas na unidade de cuidados intensivos, o financiamento do hospital, as listas de espera, as convenções com privados e a instalação de uma unidade de radioterapia, entre outros assuntos, mas Paula Moniz explicou que a sua primeira prioridade era "conhecer diretamente a realidade do hospital", por isso não quis pronunciar-se sobre questões particulares.

Em resposta ao deputado do CDS-PP, assegurou que quando trabalhava na banca nunca participou numa operação financeira relacionada com o Hospital da Ilha Terceira.

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